2019 – Jan, 04

AÇUCENAS eram das flores mais comuns, nos jardins e canteiros de Novo Hamburgo, há pouco mais de 50 anos. Elas e as MARGARIDAS.

Ambas tem em comum a enorme capacidade de se reproduzirem e a resistência às intempéries. Justamente por isto, apesar de sua beleza, se tornaram simples demais, comuns demais… e foram, aos poucos, abandonadas nos ajardinamentos.

Afinal, numa sociedade marcada pela ideologia tola do vencedor, do diferenciado, quem vai querer chamar a atenção de sua casa com flores que todo mundo tem?

Interessante. O resultado é que temos jardins todos iguais, com plantas da moda que não diferenciam ninguém de ninguém. Pior: não só os indivíduos e suas casas, mas também a cultura local perde identidade.

Porém, enquanto as plantas da moda duram uma ou duas estações e depois somem, as AÇUCENAS e as MARGARIDAS, por sua força vital e interior, sobrevivem aos anos. Se há pouco espaço para elas nos jardins, elas, teimosas, brotam em qualquer canto. Se preciso, rompem o asfalto e se exibem, altivas, aos nossos olhos.

Quem sabe sobreviva também e se imponha aos nossos olhos a antiga raiz cultural do nosso povo, de que só o trabalho cria valor e que a simplicidade é que nos torna não diferentes, mas felizes por sermos nós mesmos? E que a solidariedade é que nos torna fortes?

 

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