Netinha de olhar cristalino mostra um pequeno brinquedo de plástico (desses de R$ 1,00 pila, dos aparelhos caça-níqueis de vovôs) e desafia o senso de observação do Vô Vivendo:

– Vô, me diz que bicho é este!

 Vô Vivendo logo diz que é um cavalo. Tá na cara! Mas ela insiste. Diz que ele tem que pegar o bichinho na mão e examinar com cuidado. Vô Vivendo obedece. Vira e revira, duas vezes, três vezes… De repente, maravilhado, percebe a inteligência do design:

– É um esquilo!

Ele acha que resolveu a charada, mas ela insiste:

– Tem que olhar direito, Vô! 

Desta vez, Vô Vivendo não se dá o trabalho de um exame ainda mais acurado. É um cavalo e, virando o bichinho, é um esquilo… que legal!…

… mas ela tem certezas fortes e declara que o vovô não sabe nada:

– É um canguru, Vô!

Óbvio que se trata de uma confusão com as palavras, pensa o avô. E fica explicando que, olhando assim, é um cavalo… olhando assado, é um esquilo… que canguru é outro bicho e já sugere irem para o computador procurar uma foto de canguru no Google…

… mas a mente cristalina da netinha trata de abreviar o sofrimento intelectual do vovô:

– Eu sei o que é um cavalo e eu sei o que é um esquilo, Vô… mas (e vira o bichinho para a posição de esquilo) olha os olhinhos na barriguinha dele… são do filhotinho! Ele está só disfarçado de esquilo, entendeu?

Bem, netinha de mente cristalina tirou de letra e resolveu o único probleminha que o designer não tinha conseguido equacionar com perfeição: os olhos que sobravam quando o bichinho ficava na posição de esquilo.

Vô Vivendo entendeu. E está, até agora, coçando a careca.

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