2018 – Dez, 08

Se pudesse sugerir uma orientação para o pensamento político honesto, eu diria:

– Nunca duvide da burrice dos poderosos!

É tipo um pecado original, irmã siamesa da vaidade, a doença infantil que contamina todos os neurônios dos apaixonados pelo poder.

A gente pensa que eles raciocinam meticulosamente, friamente, e que, por isso, são invencíveis. É verdade que são frios e meticulosos. Mas a força vital que os move é mais poderosa que a razão. Por isso erram, muitas vezes primariamente.

Sempre que penso nisso, lembro do Ulysses Guimarães, o histórico deputado federal que presidiu o MDB (no tempo da oposição democrática consentida ao regime militar).

Com a queda (?) da ditadura, decidiu que queria ser presidente da República. Não lhe faltava nada para isto, nem mesmo legitimidade… só lhe faltava carisma! Mordido pela mosquinha azul, porém, só ele não reconhecia este fato. E foi fragorosamente derrotado. Perdeu pro Collor, pro Lula, pro Brizola e até pro Covas, do então nascente PSDB.

Se ele, o mais experiente articulador político brasileiro, ficou cego pela vaidade, o que esperar desta turma de juniors mimados que acompanha a ascensão do papai Bolsonaro à presidência de um país em estado de estupor social, cultural, político e econômico?

Eduardinho, Flavinho e Carlinhos não se contêm mais dentro das calças. Vão querer botar o pé no pescoço de qualquer um que atravesse seu caminho nos corredores de Brasília. O problema é que, agora, o pé tem que ser no pescoço de quem até ontem era aliado (e precisa continuar sendo, pro papai conseguir governar).

Os três “príncipes” vão ser o inferno na vida do papai, que já tem problemas que chega para resolver tentando controlar o incontrolável: as vaidades e, em acréscimo, os apetites (outra pulsão irracional que imbeciliza até os cérebros privilegiados) dos Mourões, Onixs, Moros e Guedes da vida.

E põe nesta conta que as pulsões primárias do papai também não são lá grandes conselheiras!

Enquanto isto, longe dos corredores palacianos, há uma massa de brasileiros que esperam, ansiosa e já quase impacientemente, que as coisas melhorem.

Sei disto na fila do supermercado!

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