Sabe aquela ponte, que a gente cruza quase todos os dias e nem se dá conta? Pode cair, a qualquer momento! Como quase aconteceu com aquela pista elevada em São Paulo. Como tragicamente aconteceu com aquela ciclovia, no Rio.

É assim que está o Brasil. Quase tudo pode ruir, a qualquer momento. É que o Brasil é um dos países com menores taxas de investimento público no mundo.

Um estudo sobre o tema, da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e divulgado pelo jornal Valor Econômico, compara dados de 42 países entre 2000 e 2017. Só a Costa Rica teve investimentos públicos menores que os do Brasil, na relação de proporção frente aos seus respectivos PIBs. A taxa brasileira é de 1,92% do PIB. A costariquenha é de 1,87%. Os alemães, que ficam em terceiro lugar, já investem bem mais: 2,14%.

E a média das 42 nações é de 3,51%. O Brasil, portanto, mal e mal passa da metade da média.

Nem vou falar de outros países “subdesenvolvidos e atrasados”, como Austrália (3,24%), Canadá (3,69%), Japão (3,74%), Suécia (4,24%), Coréia do Sul (5,12%)…

… desculpa, mas da Coréia do Sul eu tenho que falar. Lembra que há uns trinta e poucos anos era um paiseco? Era tão pobre e desgraçado que conseguiu nos tirar milhões de dólares em exportações de calçados porque sua mão-de-obra era mais barata até do que a nossa! Pois é… investiu boa parte do lucro em educação pública, ao invés de mansões na praia… Deu no que deu!…

Mas estamos falando é de pontes caindo e estradas ruindo. Podíamos falar também de presídios entupidos de gente, ou de escolas onde a mobília se desmonta e a rede elétrica não dá conta de um computadorzinho a mais. O investimento público brasileiro é tão baixo que não dá conta sequer de manter as estruturas existentes.

Mas, e aquela ladainha do jornalequismo e dos entendidos das redes sociais, de que tem Estado demais no Brasil, que pagamos os mais altos impostos do mundo? Pior é que tem parte de verdade. Os impostos comem demais da nossa renda – não somos os piores do mundo, mas o peso é verdadeiramente muito grande, especialmente para a dita classe média.

O problema é que a maior parte da nossa grana (dos impostos que nós pagamos) não vai para o serviço público, muito menos para o investimento público. Parte gorda  vai é para o setor privado, via pagamento de juros.

Outra fatia generosa sustenta privilégios de altos funcionários (não do funcionalismo que realmente opera, como professores, escriturários, policiais, etc.). Estamos falando é de dinheiro grosso, como o que sustenta um dos judiciários mais caros do planeta, por exemplo, e agora recebeu um generoso aumento de cerca de 16%, “para compensar perdas”.

E andam contando pra gente que nosso problema é a Previdência Social !…

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