– Novo Hamburgo – 18/06/2017 –

Tive um fim-de-semana realmente produtivo. Quinta no Sarau do Cruzeiro; sexta no Sarau do Jaguara que rola no bar do Gago; ontem no Piquenique Outono dos Livros, que fizemos acontecer na Praça 20. E faltou perna e tempo e energia para acompanhar tudo. Porque mais tarde, à noite, faltei à anti-inaguruação do Pubis, com o anti-show do Linhares, espírito sambista que baixa sobre uma surpreendente juventude… Faltei ao Festeja Hamburgo Velho…

Foi no Bar do Gago que esta ideia me veio à cabeça. Eu ia dizer que estava feliz por tocar naquele Templo da ContraCultura quando me corrigi. Não é um templo, pô!… mas, também, não deixa de ser… então… é um ANTI-templo… Pode ter palavra melhor… alguém, de repente, propõe uma compreensão mais legal!…

Também não chega a ser ContraCultura. Não é bem “Contra” porque a definição que usa a palavra “Contra” se vincula e… subordina… àquilo que é contrária. E vamos lá: de fato quem é contra a cultura não é o Bar do Gago, mas a cultura estabelecida e comandada pelo poder do dinheiro grosso! Então, o que acontece num anti-templo é uma cultura real, que não se define a partir do showbiz, mas a partir dos sentimentos e energias de quem a cria, o povo… nós!

Ficou claro: o bar do Gago é um anti-templo de uma cultura real, libertária, transformadora, que brota das tripas, do coração e do cérebro de pessoas reais.

No dia seguinte, no Piquenique Cultural, a compreensão se expandiu. Evidente que estávamos em outro anti-templo… e que na quinta-feira eu estava em ainda outro e que este outro já era mais que um, pois o Sarau do Cruzeiro é um anti-tempo que ocupa o mesmo espaço físico de outro, a própria Sociedade Cruzeiro do Sul.

Eles se multiplicam, na cidade e na região… Tem a Casa da Praça… Tem a Casa Aberta… Tem a Feira Viva… Tem a Praça Viva… Tem o Festeja… Tem o Porão… Tem a Casa da Juventude, um espaço a ser recuperado da UENH, no topo da escadaria da Gomes Portinho… Aliás, espaço em recuperação, porque nisto está trabalhando, por exemplo, uma menina chamada Carol …

… a Carol, em si, é também um anti-templo da cultura real ou, talvez melhor, uma anti-sacerdotisa…

… é! Estamos, também, vendo o surgimento de uma pequena multidão de anti-sacerdotes e anti-sacerdotisas da cultura real…

… Gustavo, Said, Kika, Gil, Ana, Henrique, Pamela, Carlos, Gago, Isaías, Márcio, Nicolas, Alessandro, Frango, Rodrigo, Rômulo, Cler, Suzana, Salim, Quimera …

… e nada disto tem muita fronteira, porque está rolando também ali em Campo Bom, em Dois Irmãos, em Ivoti, em Morro Reuter (oi, Germano! oi, Cláudia! oi, Flávio!) e em São Leo, na beira do rio, no Sarau do Rio (diga lá, Jari) …

… e em Esteio… e em Sapucaia… e no bairro Santo Afonso (oi, Cascata! oi, Tambor! oi, Cristiano! oi Mestre Pomba Negra) … e no Boa Saúde (fala, Irovan! fala Anildo! fala Ênio!)…

… e também na Vila Diehl! (oi, Luísa!oi Renate!)… Renate Gigel, da ALVALES…

… também no centro da cidade batem corações em insuspeitos, inesperados, surpreendentes anti-templos vivos.

A todos, dedico estes versos do Homem Arara:

SINAL DA LUA CHEIA

Seja um sinal da lua cheia, sempre, onde quer que você vá.

Tenha paz real por companheira e leve luz de estrelas no olhar.

Ame a multidão. Ame as formigas. Deixe o coração se comover.

Queira bem à Terra, como amiga, como bola no gramado a correr.

Tente perceber como é bonito o chão onde você repousa o pé

e que você é parte em tudo isto, como gota d’água na maré.

Ouça o seu nome escondido quando falam em povo e coisa-e-tal.

Você, sem ser herói, sem ser bandido, é melhor notícia do que as que saem no jornal.

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