Eu não sei mais em que mundo estou vivendo. Eu acreditava que Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa não existiam e que a política era vida dura de verdade.

Desculpem a ironia, mas, na real, o PT nunca foi um partido de santinhos, mas de gente dos movimentos populares e militantes de esquerda. As disputas, nos sindicatos e nas associações de bairros, nos diretórios estudantis e dentro da esquerda, nunca foram piqueniques.

Do outro lado, tampouco, nas Associações Comerciais e Federações de Indústrias, ou nos partidos de centro e direita, as disputas foram guiadas pelos manuais de boas maneiras.

É verdade também que nos dois lados também sempre houve gente honesta e de boa índole. Em geral não progrediram muito (ou estou errado e Papai Noel realmente existe?)

A diferença essencial está nos projetos. Lula e o PT fizeram alianças e concessões. Certamente, a proximidade com o poder proporcionou oportunidades de corrupção, muitas vezes aproveitadas. No entanto, comparem o que foi feito nos governos de Lula, Dilma (e ponham Getúlio e Brizola nesta comparação) com o que fizeram os outros.

Me parece que os partidos de corte popular foram muito mais realizadores do que os demais, embora o dinheiro público tenha sido sempre o mesmo. Se nos guiamos pelas manchetes de imprensa, porém, foi justamente nestes momentos que o país foi inundado pelo mar de lama.

Ora, gente, quanta ingenuidade! No meio desta briga de foice no escuro, dentro do covil das jararacas, querem que o PT faça confissão pública de seus pecados, enquanto os tradicionais vendilhões, sonegadores, negociantes posam de vestais?

Porque sempre esta inversão? Os da Casa Grande, que não gostam muito de pegar no pesado e se orgulham das mãos limpinhas, sempre acusam os da Senzala de preguiçosos, desonestos, ladinos, cachaceiros, etc. etc. etc.

Bem, vou contar talvez uma novidade pra vocês: os da Senzala não são santos. Nunca foram. Mas não é esta a questão.

Nunca foi.

(*) Vale lembrar: o escândalo Watergate, que resultou na renúncia do presidente Nixon, dos EUA só foi desvendado porque toda a investigação jornalística se fundamentou num princípio básico: “SIGA O DINHEIRO”. A Lava Jato faz tudo. Prende. Pressiona. Chantageia. Mas não faz o mais óbvio: seguir o dinheiro.

 

 

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