– Novo Hamburgo – 03/05/17 –

Transcrevo como recebi:

“Vergonha de ser hamburgunse e testemunhar, há pouco, uma das piores infâmias e abusos do poder público. A Cinco de Abril e a Nações Unidas, nas imediações do shopping, tomadas por viaturas e a guarda municipal – no maior aparato repressivo – obrigando os garotos refugiados da guerra a entregarem suas mercadorias a inúmeros fiscais da prefeitura.”

“Fui de um lado para outro, protestando, mas de nada adiantou. A única coisa que consegui foi fazer um dos fiscais parar de gritar com os garotos. Envergonhado, ele disse: ‘Estou cumprindo ordens, é meu dever’. Retruquei que não era dever ele ficar aos gritos com os jovens já tão humilhados.”

“A prefeita (…) pensa que está enganando a população com tais atitudes? O povo quer repressão, sim, mas para os criminosos de verdade. Queremos a guarda agindo duramente, sim, impedindo a ação de meliantes perigosos.”

“Enquanto o teatro é montado, no Centro, dando satisfação aos lojistas, as ruas e bairros estão sofrendo com a criminalidade crescente.”

O texto é de uma moradora da rua Cinco de Abril, sobre uma operação de combate ao comércio clandestino realizada no fim de semana. Foi em conversa privada com o Eduardo Tamborero, que me repassou.

Algumas observações minhas:

Acho que é muito bom combater o comércio irregular. Na quase totalidade dos casos, os ambulantes não são beneficiários de sua atividade irregular, mas, verdadeiramente, comerciários sem carteira assinada. O combate só aos ambulantes é mero espetáculo, band-aid em fratura exposta. Tem que focar é nas origens do problema. Uma delas está em endereços bem qualificados, escritórios em altos andares de edifícios comerciais daqui talvez, de Porto Alegre, São Paulo…

O Tamborero, quando respondia pela Coordenadoria de Políticas Públicas para a Igualdade Racial, nas gestões dos prefeitos Tarcísio e Luís, não protegeu o comércio irregular. O que ele fez foi chamar os senegaleses para o diálogo aberto e franco. Ajudou a conseguir empregos. Conseguiu cursos de formação e informação sobre a realidade brasileira, legislação, língua, costumes… Conseguiu espaços para que pudessem cumprir suas obrigações religiosas (aí, um exemplo de verdadeira ausência de preconceito: Tamborero é filho de santo; os senegaleses são muçulmanos)…

… e acho que não preciso falar mais nada. As diferenças estão postas e expostas.

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