– Novo Hamburgo, 03/05/17 –

Passei, segunda-feira (dia do Trabalhador, não do Trabalho), pelo Parque Floresta Imperial. Dia ensolarado, um monte de gente feliz, crianças sorrindo! E pensei: como nossa atual prefeita 20 por cento do eleitorado de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, deve estar se sentindo agradecida ao seu antecessor, o ex-prefeito Luís Lauermann!!!

Não é que ele, mesmo derrotado nas urnas, continuou se esforçando até o último dia para continuar resolvendo problemas da cidade? O Parque Floresta Imperial, por exemplo. Antes de começar o verão, ele consolidou um acerto com a Comusa para que ela assumisse a conservação do Parque. O resultado foi excelente e a equipe de marketing da Prefeita não esqueceu de mostrar à toda a população como o lugar está bonito, acolhedor e aprazível. Esqueceram de dizer que é resultado da ação do antecessor, mas isto já seria nova política demais!…

Mas o sentimento de gratidão da prefeita tucana ao seu antecessor petista não fica só por conta do Parcão. Acompanho a negociação da Prefeitura com o funcionalismo e a proposta, ainda não formalizada, mas apresentada em reunião com o SindProfNH, é de pagar um reajuste exatamente igual à inflação registrada nos 12 meses anteriores, de 4,57%. Existe indicataivo melhor situação financeira da Administração Municipal? Difícil negar, sem nos chamar de muito burros, que é uma situação muito confortável, na comparação com a maioria dos municípios e governos estaduais gaúchos e brasileiros.

Para o SindProf, a proposta é insuficiente. Com razão, os professores desejam recuperar perdas salariais relativas há mais de uma década, quando os reajustes foram inferiores à inflação. Com inflação baixa (devido à crise profunda da economia brasileira), mas com a arrecadação municipal reagindo um pouco melhor do que em outras paragens (graças a uma melhora da atividade exportadora por conta da elevação do dólar), os professores acham que é um bom momento para esta recuperação.

A SAÚDE FINANCEIRA DO MUNICÍPIO FOI TIPO

ENXAQUECA DIÁRIA PARA O PREFEITO LUÍS

De qualquer forma, por não precisar atrasar nem parcelar salários, a prefeita fica devendo um beijo (na testa, é claro) ao seu antecessor. É que a saúde financeira do Município foi do tipo enxaqueca diária para o prefeito Luís. Difícil medir a importância real do que ele realizou ao não quebrar o Município.

Lembre-se que ele assumiu no final de março de 2013, após três meses de interinidade do então presidente da Câmara, Antônio Lucas (que, objetiva e legitimamente, tratou de marcar seu curto mandato com obras e ações de repercussão muito positiva junto ao eleitorado – ou à comunidade, se preferirem esta expressão).

Apenas quatro meses depois, o mandato Lauermann enfrentou a grande enchente de agosto de 2013 – e seus consequentes custos. São Pedro, porém, não se deu por satisfeito e ainda enviou: 1) a exlosão microcósmica (acho que o nome é parecido, pelo menos) de 31 de janeiro de 2014; 2) as duas tempestades torrenciais de fevereiro, logo em sequência; mais os índices inauditos de precipitação pluviométrica (que pode se traduzir como chuvarada que nunca se viu) nos meses de julho e outubro de 2015.

A propósito, é bom lembrar que as chuvaradas de 2015 foram mais intensas que as de agosto de 2013, mas desta vez não houve enchentes. Também o número de desabrigados foi bem minguado, na comparação com 2013 ou com o flagelo enfrentado pelos municípios vizinhos. É que a Prefeitura já havia avançado muito nas obras de macrodrenagem que reduziram dramaticamente o perigo de enchentes nas Vila Kipling e Getúlio Vargas, de Canudos.

Pior do que as intempéries foi 2015, marcando o início da grave crise econômica que ainda hoje penaliza o país inteiro, com a consequente redução na arrecadação de impostos e em seus repasses para o Município. Além disto, sobreveio o governo Sartori no Tumelero (digo Rio) Grande do Sul. Para enfrentar a crise (e, na minha opinião, criar um clima de catástrofe para justificar futuras e planejadas privatizações), além de parcelar salários, o novo governador também atrasou os repasses de recursos para a saúde aos municípios. Novo Hamburgo ficou com um rombo, só na saúde, de R$ 18 milhões. O prefeito Luís matou no peito. Manteve e ampliou os serviços de saúde pública com recursos próprios.

O governo Sartori trouxe ainda outro problema seríssimo para Novo Hamburgo (e vários outros municípios gaúchos), na área de Segurança Pública. Pressionado pela opinião pública e pela imprensa, o prefeito Luís investiu na ampliação e na qualificação do quadro funcional da Guarda Municipal e no seu equipamento. Ao ponto de a Guarda Municipal passar a ser reconhecida como modelo no Estado.

TAMBÉM AO TARCÍSIO A PREFEITA FÁTIMA

PODIA ACENDER UMA VELINHA DE GRATIDÃO

Verdade que, para enfrentar as dificuldades financeiras, o prefeito Luís também parcelou… mas não o pagamento dos salários (apenas o reajuste destes). Considerando todas as dificuldades que o prefeito Luís enfrentou e que ainda assim continuou executando um imenso número de obras com recursos obtidos no governo Tarcísio (também a ele a prefeita Fátima podia acender uma velinha de gratidão), é mais que um milagre que não tenha atrasado um centavinho sequer de salário, nem passado esta conta para sua sucessora.

Se isto já seria razão suficiente para que a atual prefeita exercitasse a virtude da gratidão, Luís deixou muitos outros presentes para ela. A UPA do Centro é um belo exemplo. Luís a deixou 90 por cento concluída, segunda a conta de um CC da Saúde da gestão anterior. Para ele, a atual administração só não inaugurou ainda a obra para dar um tempo e ganhar alguns louros pela sua conclusão. Pode ser maldade, afinal a afirmação vem de um opositor empedernido.

O fato é que a obra está lá, quase pronta e poderá ser entregue com festa e pompa pela nova Prefeita. É absolutamente normal, na administração pública, que uma administração conclua o que foi iniciado pela gestão anterior. Triste é quando não conclui. De qualquer forma, seria bacana se a prefeita Fátima convidasse os ex-prefeitos Luís e Tarcísio para a inauguração. Mas, seria nova política demais…

… se bem que, sabe lá… porque, afinal, o que o Luís Lauermann fez ao final do seu mandato, logo após as eleições em que foi derrotado, é um pouco o que se pode chamar de “nova” política, aquela que tanto almejamos. Ele podia ter focado apenas nas atividades e obras que pudesse concluir ainda no seu mandato (um puxadinho aqui, uma pinturinha ali, um bandeidizinho acolá), deixando o caixa zerado e todos os problemas reais prontos para explodirem no colo de sua sucessora. Já aconteceu assim, né? Não teria sido a primeira vez, certo? Tem gente até que chama isto de “inteligência” política!

Mas o cara fez o contrário! Deu continuidade à importantíssima repavimentação da rua Sapiranga, por exemplo. Deixou projetos prontos, recursos conquistados, licitações encaminhadas e até realizadas, para fazer o mesmo nos trechos finais da Daltro Filho e da Victor Hugo Kunz. Quem executou as obras e se vestiu com os louros, foi a nova gestão. Mas o prefeito Luís deixou projetos e recursos também para outras obras, do mesmo quilate, que ainda estão por ser iniciadas e entrarão na conta positiva da atual prefeita, como a rua Mundo Novo.

E o que dizer do início das obras no arroio Pampa, que vão resolver um problemão que se arrastou por décadas e décadas no bairro Canudos?

Tá certo, ele também deixou problemas seríssimos para resolver, como herança pra prefeita Fátima. Mas isto faz parte. Se não houvesse nenhum abacaxi para descascar, nenhum(a) candidato(a) se apresentaria, como todos fazem, como uma pessoa trabalhadora, competente, realizadora, capaz… Fosse assim, ao invés de prefeito(a), a gente podia eleger a Miss Novo Hamburgo (e o Mister, para não me acusarem de machismo). Seria bem mais agradável.

CONFESSO QUE O TÍTULO DESTA MATÉRIA

ESTÁ ERRADO. FALTOU UMA FRASE FINAL

Ficaram problemas, então. Ficou a nova licitação do transporte coletivo. Ficou o problema do lixo. Ficou a renovação dos contratos com o BID (que a prefeita Fátima, infelizmente, transformou num dramalhão-espetáculo divorciado do mundo real, enquanto renegociava objetos finais das ações financiadas, sem consultar ou, pelo menos, informar a opinião pública. Saiu dinheiro de Hamburgo Velho para focar nas ações de desenvolvimento econômico). Ficou o problema do telhado do Hospital…

… Aliás, o telhado do Hospital Municipal é outro exemplo de dramalhão da atual gestão. Sim, o governo Luís Lauermann não deu prioridade ao conserto do telhado do hospital, avariado por uma tempestade, ha uns dois anos atrás. Lembram que o governo Sartori atrasou repasses da saúde pública, a ponto de deixar pendurados algo em torno de R$ 18 milhões? Pois é… o prefeito Luís teve que se virar com recursos do município, também escassos. Preferiu pagar os salários dos servidores da Fundação Hospitalar, manter e até ampliar os serviços existentes. Preferiu continuar tocando a obra estratégica e fundamental da UPA do Centro.

E não relaxou da cobrança judiciária dos recursos devidos pelo governo do Estado. O município de Novo Hamburgo resultou vitorioso. Recebeu e está recebendo parcelas determinadas pelo Poder Judiciário. Sabem quem está podendo fazer uso deste dinheiro? A gestão da prefeita Fátima. Pois, que execute as obras do telhado, ao invés de aproveitar cada problema para chorar pitangas e dizer que a gestão anterior foi incompetente.

A prefeita Fátima e sua equipe não precisam ter carinho pelo Lauermann, pelo Tarcísio e pelas equipes que os acompanharam. Tampouco estes oferecerem flores aos adversários. O carinho deve ser pela população. E aí, confesso, que o título desta matéria está errado. Faltou uma frase final. Devia ser assim: De Luís (e Tarcísio) para Fátima, com carinho…

… pelo povo de Novo Hamburgo.

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