– Novo Hamburgo – 22/04/17 –

… e não é que ela veio mesmo? A Super Fátima, prefeita 20 por cento de Novo Hamburgo, anunciou na última quinta-feira (dia bem legal, antes do feriadão) ao povo de Novo Hamburgo que “RECUPEROU” R$ 61 milhões (o número correto seria US$ 21 milhões, mas 61 parece maior, né?), de recursos do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, “que estavam perdidos”.

“Estavam perdidos?” Gozado. No comecinho do ano, quando começou a se ocupar do assunto, marcando a primeira reunião com o pessoal do BID e, logo em seguida, depois da reunião, o discurso era sutilmente diferente. O que se dizia, então, era que Novo Hamburgo “corria o perigo de perder” estes recursos.

É só ler os jornais de alguns meses atrás para conferir os termos exatos que eram usados então e a grandiloquência salvacionista de agora.

E mesmo o discurso daqueles dias já era muito mais alarmista e politiqueiro (infelizmente, esta continua sendo uma palavra que traduz a realidade). Na ocasião, escrevi um artigo, mostrando outra visão sobre os mesmos fatos: “O Dramalhão do Empréstimo do BID”. Peço que o releiam, para uma melhor reflexão sobre o assunto:

https://carlosmosmann.wordpress.com/2017/01/23/o-dramalhao-do-emprestimo-do-bid/

Nenhum problema em divulgar o progresso das ações que estão sendo financiadas com os recursos do BID e até de comemorá-los. É óbvio que este processo, que envolve milhões de dólares é acompanhado de várias etapas de fiscalização, adequação, revisão, renegociação, etc… e cada etapa é necessariamente rigorosa e desgastante. Afinal, aqui não é a Disney! A prefeita Fátima, portanto, pode e deve comemorar cada passo de um processo que começou lá em 2008, quando o então prefeito Jair Foscarini cumpria o último ano de seu mandato.

O problema de sua fala é o ar de “administração espetáculo” que ela está querendo conferir a sua gestão. E este não é um problema menor. Boa parte dos votos que ela angariou para se eleger prefeita de Novo Hamburgo (pouco mais de 20 por cento do total dos eleitores aptos da cidade) é que eles almejavam (e continuam almejando) o que ela genericamente propôs como uma “nova” política.

O que, imagino, esta parcela do eleitorado tanto deseja, é uma forma transparente de administrar, reconhecendo dificuldades e erros, defendendo acertos, considerando e explicitando divergências de entendimentos e interesses. O que a prefeita está nos oferecendo, porém, é apenas uma nova roupinha (um exercício mais acurado do marketing político) para uma velha senhora (a negação do diálogo transparente e a gestão focada nas disputas de poder em vez de na solução dos problemas concretos do povo).

Com isto, se perde, mais uma vez (atenção: estou escrevendo “mais uma vez”, o que significa que não ela, a prefeita Fátima, a personificação única do demônio da velharia política) a oportunidade de criar sinergias supra-partidárias em torno de grandes causas comunitárias.

Houve tempos em que isto foi possível. Quando se criou a Fenac, por exemplo, o governo do Estado era exercido por Leonel de Moura Brizola e o município era governado por um correligionário seu, Martins Avelino Santini. Brizola e Santini eram trabalhistas e a maioria do nosso empresariado lhes fazia dura oposição (duríssima!… Já vivíamos o ambiente de pré-golpe que resultou na Ditadura de 64). Isto não os impediu de conjugar esforços para criar a Fenac que foi uma grande e essencial propulsora do crescimento econômio de toda a região.

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