– Novo Hamburgo, 19 /04/17 –

Vai ser um divisor de águas na História de Novo Hamburgo o carnavalzinho que a atual administração municipal, da prefeita 20 de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, quer nos impingir.

Pra ela – não ela, a pessoa, mas a atual administração e sua articulação política – não tem problema gastar R$ 145 mil só em som e estrutura para seus shows de públicos pífios na comemoração dos 90 anos de Novo Hamburgo. Isto pode ser tecnicamente defensável.

Porém, é mais do que está sendo investido na maior, mais antiga e mais enraizada festa popular da cidade: o Carnaval.

É a prova provada do quanto a administração 20 por cento gosta ou deixa de gostar de estar com o povo, ao lado do povo.

Eu me pergunto: quantas vezes ela ou, pelo menos, seu Secretário de Cultura, esteve num ensaio das Escolas de Samba, verificando quem está sendo beneficiado e de que forma está sendo investido o dinheiro do município (minguados R$ 25 mil que cada Escola de Samba ainda irá receber se participar do desfile do próximo sábado na Pedro Adams Filho)?

Viram se tem crianças aprendendo a tocar um instrumento musical? Viram se tem casais de idosos se comovendo com as lembranças e se orgulhando de netos, netas, sobrinhos, enteados… que desfilam graça, beleza e energia? Viram se tem grupos de conversa, discutindo se as fantasias estão de acordo com o enredo? Viram quem está fazendo as contas, equilibrando duramente as finanças da Escola?

Ou – se é que foram lá – se limitaram a pagar cerveja para um popular mais atrevido, apertaram a mão do presidente, deram beijinhos numa senhora mais conhecida (sem se dar conta de que estava, ali, uma avó, evidenciando o caráter de fortalecimento familiar e comunitário do investimento público)?

É disto que estou falando: de estar ou não estar com o povo, ao lado do povo.

O que eles queriam que fosse apenas um “carnavalzinho” acabou se transformando num gigantesco divisor de águas.

Em quem e no quê a Prefeita 20 por cento está pensando quando faz as contas da Prefeitura? Os outros 80 por cento estão na sua conta?

Eu respondo que sim: bem que ela gostaria que estes outros 80 por cento, ou pelo menos boa parte deles, ficassem muito satisfeitos com seu trabalho. Bem que ela gostaria de agradar a todo mundo, mas o dinheiro é curto. É muito curto.

E, aí, tem que fazer escolhas. E, aí, tem que ter critérios. E, aí, os critérios em que ela acredita são “técnicos”, seguem uma cartilha de entendimento do mundo que não vai a ensaios de Escola de Samba.

Não vai nas feiras comunitárias que tentam humanizar os espaços públicos da cidade. Acha complicado apoiar, “porque existe uma nova lei…”. Existe mesmo: o marco regulatório! Ele exige mais transparência na destinação dos recursos públicos e é um complicador sério.

Mas, também nisto, existem escolhas. E elas não são meramente técnicas. Uma coisa é examinar a lei pensando apenas em resguardar a administração (o que é correto, mas não é o único ponto a ser avaliado). Outra coisa é examinar a lei pensando em viabilizar o apoio público às iniciativas comunitárias, de acordo com seu real valor, com o real benefício que trazem à coletividade.

Mas, como avaliar se não está junto deles?

Esta questão básica – de estar ou não estar junto com o povo, de sofrer e se alegrar com as aflições e soluções do cotidiano, ou não – acaba transbordando para outros setores da administração.

Assim, na saúde, por exemplo, a administração chega a anunciar com orgulho novos horários de atendimento nos postos de saúde. Mas não considera os horários em que a população procura os serviços, nem o bem estar dos trabalhadores da área de saúde. Sequer pensa em como conciliar adequadamente estas duas situações.

Não é por maldade. É que a cabeça está em outro lugar. A cabeça sempre está no lugar em que o coração bate mais forte.

Anúncios