O deputado Tarcísio Zimmermann (PT) assumiu a bronca de brigar pelo Rio Grande do Sul, mostrando qual o caminho para a crise que o governo Sartori (PMDB, PSDB, DEM, PP e outros parecidos) diz querer resolver destruindo o setor público.

Tarcísio mata a cobra e mostra o pau. Reproduzo na íntegra o texto publicado no último boletim do seu mandato (e a ilustração, que é um exemplo de pedagogia política e cidadã):

“O ressarcimento das perdas da Lei Kandir representa a possibilidade concreta do Rio Grande do Sul reencontrar o caminho do desenvolvimento e sair desta situação de dor, sofrimento e desesperança.

Os números são claros e de uma eloquência dramática. A dívida gaúcha saltou de R$ 26 bilhões para R$ 59 bilhões em apenas quatro anos, de 1994 a 1998, durante o Governo FHC. Isso aconteceu, não porque o Estado tenha gastado muito, mas porque Fernando Henrique, para 37% de inflação, fixou uma taxa absurda de juros de 214%.

Na prática, todos os Estados, que tinham suas dívidas vinculadas à Celic, quebraram.

De lá para cá, já foram pagos R$ 60,4 bilhões de dívida, mas o Rio Grande ainda deve R$ 73,8 bilhões, ou seja, uma situação totalmente injusta.

Mas não pararam por aí. Na era FHC, foi criada a Lei Kandir que retirou do Rio Grande R$ 43 bilhões e obriga o Estado a sangrar em 3,9 bilhões a cada ano. Isso significa que a União nos deve um valor maior e nada nos paga.

A combinação dessas duas perversidades destruiu as contas públicas do Rio Grande do Sul, empobreceu a economia, quebrou nosso sistema de ensino e enfraqueceu ao nível da anemia o sistema de segurança pública. Aliás, como todos nós sabemos e sentimos todos os dias.

Porém, em dezembro do ano passado, finalmente o STF, por 11 votos a zero, decidiu corrigir essa injustiça e determinou ao Congresso que regulamente o ressarcimento das perdas da Lei Kandir em 12 meses.

Essa discussão está hoje no Congresso e, obviamente, nada poderia ser mais importante para o Estado. Pelo significado que tem, esse tema deveria ocupar as manchetes da nossa imprensa, as ações do Sartori e a atenção dos parlamentares de todos os partidos. Entretanto, estranhamente, nele pouco se fala.

Se o ressarcimento das perdas da Lei Kandir fosse concretizado, teríamos a cada ano mais R$ 500 milhões para a saúde, R$ 500 milhões para a segurança, R$ 975 milhões para a educação e R$ 1 bilhão para os municípios.

Seria a possibilidade real de voltarmos a contratar policiais para garantir mais segurança ao povo gaúcho, mais professores para nossas crianças e saúde para quem precisa.

Em vez disso, as notícias predominantes são atrasos e parcelamentos de salários de servidores, privatizações e venda do patrimônio público, criminalidade em alta, educação sucateada e saúde caótica.

Sem esquecer do chamado PL do Ajuste Fiscal, encaminhado pelo presidente golpista Temer, que, no caso do Rio Grande do Sul, proíbe a realização de concursos públicos, instala um comitê privado para autorizar gastos públicos e exige a privatização do Banrisul.

Como explicar isso? Certamente, há algo muito errado em uma sociedade que prefere matar seu futuro ao invés de discutir seu presente, mas sabemos que esse não é um erro da população gaúcha. Essa é uma escolha do Governo Sartori, que supervaloriza a crise para justificar a destruição de direitos e políticas públicas e a venda do patrimônio público.

Também foi assim no Governo de Antônio Britto.

A resposta que devemos e podemos dar é a luta. Por isso, o deputado Tarcísio Zimmermann e a bancada do PT lideram um movimento nacional pela aprovação no Congresso Nacional da regulamentação das perdas da Lei Kandir. Esse é o caminho para devolver ao Rio Grande a perspectiva de futuro!”

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