Qual o fato cultural mais importante dos dois últimos anos, aqui em Novo Hamburgo?

Muitos dirão que foi o tombamento do Centro Histórico de Hamburgo Velho e do acervo do mestre Scheffel como patrimônio cultural da nação brasileira.

Tem que ter coragem – até cara de pau – pra dizer diferente. Não há como desconsiderar a importância deste reconhecimento. Novo Hamburgo é a única cidade brasileira que tem um conjunto arquitetônico herdado dos imigrantes alemães e seus descendentes tombado como patrimônio NACIONAL !!!!!!!!!!!!

Mesmo assim, corro o risco de afirmar que há outro fato que não rivaliza, mas, no mínimo, fica ao lado do tombamento, em importância para o nosso desenvolvimento cultural: a sucessão de iniciativas comunitárias coletivas que está impulsionando vigorosamente a vida de Novo Hamburgo.

É isto que está oportunizando a descoberta de inúmeros talentos que já estavam aqui, mas ocultos. É isto que está oportunizando o desabrochar de inúmeros novos talentos. É isto que está realizando a formação de um público consumidor de cultura.

 

SARAU NICOLAS

É isto – e para ser muito claro e incisivo: é isto, não é o tombamento do Centro Histórico. No entanto, o Centro Histórico também deve ser reconhecido como impulsionador de muitas das iniciativas comunitárias de que estamos falando.

Por outro lado, porém, vida cultural ativa é o único fator que consistentemente pode viabilizar a preservação do patrimônio histórico. Venda de índices construtivos, isenções de impostos, reurbanização, etc… ajudam. Em muitos casos, ajudam muito. Mas, se não houver arte que lhe dê alma, é só dinheiro público posto fora.

A melhor política cultural possível, portanto, é unir estas duas coisas – mas sem amarrá-las, porque a vida cultural tem que estar em toda a cidade para desenvolver toda sua potencialidade.

Neste sentido, preocupa que está havendo alguma dessintonia entre a Administração Municipal e estes movimentos comunitários. Afinal, nestes últimos dois anos, eles é que vem multiplicando eventos culturais importantes e qualificados na cidade, fenômeno que reflete uma tendência internacional muito forte.

A Administração Municipal alega ter dificuldades para definir formas de apoio para estes eventos. Não dá para negar que existe legitimidade nesta alegação. Está em vigor uma nova lei federal, um marco regulatório que normatiza todas as transferências de recursos públicos para entidades e movimentos comunitários. É uma lei exigente e, importante frisar, necessária, por buscar disciplinar estas transferências.

Por outro lado, porém, a Prefeitura também sinaliza não dar maior importância às iniciativas comunitárias. Embora algumas já estejam consagradas pela repercussão positiva e pelos resultados alcançados, como a Festeja Hamburgo Velho, por exemplo, foram simplesmente ignorados no calendário de comemorações pelos 90 anos do município.

Representantes destes movimentos procuraram a Câmara de Vereadores para viabilizar um diálogo qualificado com a administração. Desta visita, resultou o chamado da Audiência Pública, convocada pela Comissão de Economia e Finanças, para o próximo dia 20 (às 19h00, na Câmara). Evidente que será convocado o Poder Executivo para participar.

O debate promete ser quente, mas, pela qualidade dos movimentos e de seus realizadores, certamente será também respeitoso, buscando soluções e não conflitos. É importante que os participantes dos coletivos considerem que os entraves burocráticos e as regulações são inevitáveis e necessárias para o poder público. Este, no entanto, deve entender que não está no centro do universo.

Tenho claro que há um objetivo comum. E que há divergências possíveis. Mas tenho muita confiança na honestidade de propósitos de todos os envolvidos. É o essencial para que haja o diálogo.

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