De todos os políticos brasileiros, Lula é o único que vem crescendo na aprovação popular.

A informação vem de um site dedicado ao mercado financeiro, Infomoney, que encomendou pesquisa ao instituto Ipsos. Foram ouvidas 1.200 pessoas em 72 diferentes cidades brasileiras, de 01 a 15 de março deste ano. A margem de erro é de 3 por cento.

Hoje, segundo a pesquisa o ex-presidente petista conta com a aprovação de 38 por cento dos brasileiros.

Seu índice de rejeição ainda é alto: 59. No entanto, está em queda. E é o menor entre os políticos tradicionais mais conhecidos do país. Marina Silva, que foi pensada como uma alternativa pintável de “nova política”, já foi flagrada pelo olhar popular. É rejeitada por 62 por cento dos entrevistados.

Para Alckmin, 67 por cento torcem o nariz. Serra e Aécio já vão para além dos 70. Temer chega aos 78.

Lula é o único que cresce em aprovação e cai em rejeição.

Sua aprovação é ascendente também nas classes médias. O único segmento social em que os índices parecem parados é o do pessoal com nível universitário. Fácil de entender: é um pessoal com ideias e interesses muito consolidados.

Os números apontam, ainda, para uma rejeição maciça das políticas implementadas pelo golpismo. Nada menos de 90 por cento dos brasileiros entendem que o governo está indo numa direção errada.

Fosse só este o quadro, o movimento popular já podia ir preparando a festa de comemoração para outubro de 2018. Mas são justamente estes números que alertam: Há perigo na esquina!

O golpismo não está instalado apenas no Palácio do Planalto, nem no Jaburu, nem no Congresso. Está também no poder judiciário. E, aí, a pesquisa mostra um fato muito preocupante: Moro tem a aprovação de 63 por cento dos entrevistados; Joaquim Barbosa, o principal artífice do mensalão, ainda é lembrado positivamente por 51 por cento.

E aí se começa a compreender a eficiência de mais um dos braços do golpismo: a grande mídia, que a gente costuma identificar com a rede Globo, mas inclui também os outros grandes grupos midiáticos do país.

Tanto quanto consigo ver, a grande mídia trabalha com a intenção de desacreditar completamente a política. E está claro: é o que conseguiu fazer. A única coisa que não deu certo foi o plano de arruinar a imagem de Lula.

Uma das razões é que não conseguiram uma única provinha consistente para colocá-lo na cadeia, como um ladrão vulgar. Simplesmente porque Lula não é um ladrão – o que, para a maioria dos golpistas, é algo incompreensível, pois partem do julgamento íntimo de que não existe honestidade ou virtude no ser humano (mas existe).

Existe outra razão para este insucesso. É que Lula representa a possibilidade de uma política diferente, com resultados concretos… que a população já sentiu… e não vai esquecer tão facilmente.

Todo o resto, inclusive Dilma (com 74 por cento de rejeição) representa a política neoliberal e suas consequências nefastas para a grande maioria dos seres humanos do planeta. É contra ela que se manifesta a grande maioria dos 90 por cento que acham que a política do governo vai numa direção errada (este, observo, não é um dado da pesquisa, mas um convencimento pessoal meu).

No entanto, é justamente esta política – recessão, corte dos investimentos sociais, destruição da previdência e dos direitos dos trabalhadores – que a grande mídia, claramente, está defendendo. Esta é a política que está sendo implementada a toque de caixa e de todas as maneiras possíveis (por baixo do pano sempre que possível…)

O QUE REALMENTE ESTÁ EM JOGO

É neste nível – dos fatos concretos, do pão sobre a mesa, do filho na escola… na universidade!… do custo de vida, do emprego e das esperanças futuras – que acontecem as escolhas populares. Lula representa o oposto do neoliberalismo.

O golpismo, porém, não assume sua identidade com a cartilha neoliberal.

O comando do golpismo trabalha oculto. Não se identifica. Apenas manipula. E não está nem mesmo no poder judiciário, nem mesmo na grande mídia. Está até fora do país, nos grandes centros financeiros.

E tem, ainda, muita margem de manobra.

Já que Lula parece ser imbatível nas eleições presidenciais do ano que vem, vão tentar mais um passo do golpe.

Vão derrubar Temer. Tenho certeza. Vão tentar adiar as eleições. Vão tentar engrupir uma “reforma política”. Vão incensar o juiz Moro (e olha o tamanho do erro que comete quem ainda aplaude a operação Lava Jato por condenar um boi de piranha como o ex-deputado Eduardo Cunha, esquecendo o esquartejamento dos princípios básicos da justiça que ela provoca para poder alcançar Lula, como seu objetivo final e estratégico).

Há muito perigo na esquina!

Não digo isto pra meter medo em ninguém. Pelo contrário.

Eles podem até ter sucesso nas suas manobras em 2018. Seu grande problema é que sua política é de destruição do povo, de retrocesso social violento. Qualquer Moro ou primeiro-ministro (se lograrem implantar o parlamentarismo) que eventualmente consigam colocar no poder vai ser desmascarado em pouco tempo, justamente pelo conteúdo troglodita das políticas que terá que adotar para obedecer ao comando oculto.

Até que um dia, cedo ou tarde, ficará claro, aos olhos dos homens, qual a verdadeira escolha a ser feita: ou prepondera o poder do dinheiro, ou prepondera o valor da vida.

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