– Novo Hamburgo – 30/03/17 –

Às 11h00 da manhã, quando as primeiras turmas de trabalhadores da fábrica da Calçados Beira Rio do bairro Canudos começavam a sair para seu almoço, tiveram uma divertida surpresa. O Sindicato das Sapateiras e Sapateiros, com apoio da CUT e outras entidades sindicais da cidade e da região, colocaram um vaso sanitário junto ao portão, para protestar contra o fato de que ainda hoje, no século XXI, os trabalhadores não tem acesso liberado ao banheiro.

– “As chaves ficam com o chefe de seção”, me explicou a presidente do Sindicato, Angélica Nascimento. “Quem quiser usar o banheiro tem que comunicar ao chefe, que faz uma escala. Às vezes, a pessoa só consegue ir ao banheiro umas três horas depois. É humilhante, especialmente para as mulheres. Às vezes elas se urinam no trabalho. Já temos casos de trabalhadoras que ficaram doentes da bexiga”.

Ruim de acreditar, em pleno século XXI, mas, enfim… Angélica informa que a empresa nega esta restrição, mas, na prática exerce controle rígido. Bem, a prática é antiga. Qualquer operária da indústria calçadista a conhece.

A manifestação não se limitou, evidentemente, ao uso do banheiro. Os sindicalistas também usaram o som para falar sobre os direitos das mulheres e sobre as “reformas” que estão sendo implantadas pelo governo golpista e por sua base parlamentar.

A maioria dos trabalhadores passou pelos manifestantes sem parar para conversar. “É que a empresa manda filmar e depois persegue quem parar para conversar com a gente”. 

O recurso cênico, de qualquer forma, funcionou. A maioria dos operários não conseguiam conter um sorriso ao passarem pelo vaso sanitário. E quase todos pegaram os panfletos chamando à resistência em defesa da Previdência Social e dos direitos trabalhistas.

Quero frisar: o nome do Sindicato é das Sapateiras e dos Sapateiros. E tem uma presidentA.

Evolução da história: https://carlosmosmann.wordpress.com/2017/04/10/apareceu-a-chave-do-banheiro/

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