– Novo Hamburgo, 22/03/17 –

Olha o número de trabalhadores para tapar um buraco, na esquina da Sete de Setembro com a Primeiro de Março. Contei onze, na foto do jornalista José Renato de Oliveira. Imagino o quanto isto está custando para o bolso público!

Não sei tanto assim sobre a arte de tapar buracos, mas me parece um pouco exagerado. Enfim, não estou acostumado a ver todo este aparato para este tipo de operação. Vai que seja o tecnicamente recomendável. Mas desconfio que isto está mais na linha da Administração Show, uma característica do jeito tucano de governar, com forte viés marqueteiro.

Falei com um ou dois servidores municipais que conhecem um pouco mais do que eu sobre o assunto e me disseram que a operação tapa-buracos do secretário Faisal Karam, das Obras Públicas, Serviços Urbanos e Viários, e da prefeita Fátima Daudt, está com um custo/buraco muito elevado. “Não vão dar conta”, comentou um deles.

Me parece que ele está com uma boa dose de razão. Enquanto a Prefeitura mobiliza todo este aparato para tapar cada buraco da cidade, nosso asfalto, vencido e sobrecarregado, vai se esfarelando um tudo que é canto.

Vamos tomar a Pedro Adams Filho como exemplo? Vocês acham que estou falando do trecho em que ela passa no Centro da Cidade? Então, dêem uma passada no trecho entre a Alvear e a Primeiro de Março.

APARATO 1

Nesta primeira, o pobre motorista evita um percalço e já vai desviando do próximo.

Aqui, passo a acrescentar alguns comentários posteriores à postagem inicial, que aconteceu dia 22 (estou escrevendo, agora, já no dia 24). Por uma feliz coincidência (ou a improvável hipótese de que este blog já esteja prestando um serviço público de alerta às autoridades), na mesma tarde, o buraco acima e mais três ou quatro, na mesma pista, já estavam consertados. Como indica a foto a seguir (não é lá uma maravilha de reparo, mas… tudo bem… foi atacado o problema):

BURACO 10.jpg

No entanto, logo adiante, deixaram um buraco aberto, pronto para receber um remendo. No dia seguinte, não vieram terminar o serviço. Taí como ficou a pista:

BURACO 12

APARATO 2

Enquanto isto, na pista ao lado, em direção à estação do Trensurb, a burqueira continuou intacta. Neste, da foto, já tem buraco até na pavimentação anterior, feita com pedra irregular. Dá para entender a lógica de tanto aparato, tanto show?

Não se trata, aqui, de ficar colecionando buracos para provar a incompetência da atual gestão. Apenas de mostrar que a crítica é um exercício muito fácil. Encontrar uma solução para este problema, especialmente em tempos de crise econômica, é a tarefa realmente difícil, que tira o sono de tudo que é prefeito (ou prefeita).

Acho, porém, que a “Administração Show” não resolve, nem mesmo na política. Pneus rasgados e molas quebradas são mais fortes do que qualquer estratégia marqueteira. Nossa sorte, agora, é que os meses de abril e maio são, historicamente, os menos chuvosos em nossa região. Vamos torcer para que o secretário Faisal consiga tapar o maior número possível de buracos neste período.

Enquanto isto, que a administração consiga estruturar as melhores soluções para lidar com o problema. Isto significa desde encontrar as soluções mais econômicas – em empresarialês se diz “com melhor relação custo-benefício” – até pensar na substituição do asfalto por outras formas de pavimentação, que combinem conforto para os motoristas e usuários do transporte coletivo, com durabilidade e sustentabilidade.

O planejamento passa também por melhorar a drenagem da cidade e pela localização dos pontos em que a pavimentação é mais exigida e/ou está mais frágil. É por onde se pode começar a trocar o asfalto por pavimentos mais adequados.

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