–  Novo Hamburgo, 19/03/17 –

Afrontando toda a técnica do texto jornalístico, começo falando de muitos anos passados, de 1970, quando os Beatles lançaram Abbey Road. Como hoje, era um tempo de muita agitação política. John Lennon e George Harrisson vinham escrevendo muitas canções com este teor. No trabalho anterior, o chamado álbum branco, George tinha composto duas críticas demolidoras ao sistema: “While My Guitar Gently Weeps” e “Piggies”. No Abbey Road, porém… nada!

Um crítico norte-americano, porém (não lembro o nome dele), escreveu que “num tempo tão feio, nada era mais político do que a beleza daquele álbum”. E, de fato! Lembrei daquele texto, ontem à noite, quando subia as escadas da Casa da Praça para ouvir o Manouche Manolo Jazz Club #7. Já subi saltitando meus 65 anos de uso, como se fosse um piá, contaminado pela alegria e pela beleza da música que executavam. Benza Deus a hora em que decidi sair de casa para escutá-los.

MANOUCHE

Afrontando, de novo, todo o bom trabalho jornalístico, só curti a música e esqueci de pegar os nomes dos artistas. Sei o do Márcio Fülber que estava no acordeon e depois passou para o piano. Os outros fico devendo (*), por algumas horas ou dias, até que corrija o erro. Talvez nem importe tanto para eles, mas importa, sim, porque o bom trabalho merece reconhecimento.

Não devo mais. O Márcio me informou. O grupo inicial contou também com a participação do Fábio Pádua, no clarinete; Felipe Schutz, no contrabaixo, e Bernardo Boz Caitano na guita semiacústica. Na segunda parte do show, participaram Yvan Etienne, no sax, e Ben-Hur Pereira, na batera. Ao final, César Lopes da Rocha entrou na bateria.

Enfim, em tempos tão feios como os que estamos vivendo, a arte pode servir para denunciar injustiças e maldades. E é bom que o faça. É importante. No entanto, fazer fluir a beleza é vital para que a gente não se deixe contaminar pela feiúra que nos rodeia. Se a gente não tiver como estrela guia a felicidade e a beleza da vida, vamos lutar em razão de quê?

Lembro, a propósito, a letra de uma canção do Caetano: “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. Chico Buarque, um dos mestres da arte engajada, ao ouvir esta música, disse que era “a melhor canção política que já tinha ouvido”.

Bah! Me sinto agradecido!

Ah! Sábado que vem tem mais. E é de grátis. Mas você bem que pode levar uns pilas pra depositar no chapéu que fica em frente aos artistas. Afinal, você vai estar economizando uma pequena fortuna em tranquilizantes e anti-depressivos!

 

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