O Festeja Hamburgo Velho bem podia ser considerado patrimônio de Novo Hamburgo. Sei que parece um exagero dizer isto. Se for, estou exagerando de propósito, para mostrar com a clareza possível a importância deste evento, organizado em ação colaborativa pelos próprios expositores.

Aliás, ao lado deles, deve-se contar também a Associação dos Moradores e Empreendedores de Hamburgo Velho, que já organizou a HamburgerbergFest do ano passado e está planejando muitas outras novas ações para este ano, buscando a valorização da riqueza cultural que repousa no nosso bairro histórico.

Olha a festa de ontem. Abençoada por um lindo dia de sol, repetiu o sucesso das edições do ano passado. É o evento comunitário mais forte e significativo, hoje, da cidade. E mostra muito de tanta coisa boa que está acontecendo, em termos de iniciativas transformadoras, generosas, criativas, visando geração de renda e/ou desenvolvimento social.

Muitas outras iniciativas estão se multiplicando no município, promovendo a ocupação criativa e produtiva de espaços públicos, refletindo, aliás, uma tendência internacional de busca de empoderamento da sociedade, não necessariamente em afronta, mas pelo menos em tentativa de contrabalanço aos poderes do Estado e das grandes organizações econômicas.

Festeja, em Novo Hamburgo, foi a primeira a se potencializar. Acredito que serviu – e muito – para potencializar as muitas outras (que já existiam, se constituíram desde então e ainda estão por se organizar e realizar).

Neste sentido, não é exagero, pensar este evento, com seu perfil comunitário, como um patrimônio da nossa cidade. E um patrimônio vivo. Acredito que a melhor contribuição, nos últimos anos, para viabilizar o aproveitamento de todo o potencial de nosso patrimônio histórico e cultural para promover desenvolvimento social e econômico para a Novo Hamburgo.

OUTRA BOA NOTÍCIA: FRENTE PARLAMENTAR EM DEFESA DO BAIRRO HISTÓRICO

O sucesso do evento é a grande notícia do mês para Hamburgo Velho. Mas há outra, também de muita relevância: a constituição da Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio Histórico de Hamburgo Velho, aprovada há pouco mais de uma semana, por iniciativa dos vereadores (em ordem alfabética) Ênio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PDT) e Professor Issur Koch (PP).

Os três estão entre os mais preparados e ativos veredores da Câmara. São de partidos diferentes, tem diferentes concepções de mundo e de política e, ainda, diferentes formas de relacionamento com o poder executivo e isto enriquece sua ação e o potencial da contribuição. São parceiros certos para ouvir com sincero e intenso interesse a comunidade que já se organiza em defesa do nosso patrimônio histórico, seu aproveitamento e potencialização.

E tem tarefas institucionais muito importantes pela frente, tratando do tema, que vão, desde o apoio a iniciativas comunitárias, até a discussão e proposição de leis e ações públicas visando consolidar esta riqueza (além de ser a única cidade brasileira com um centro histórico da cultura dos imigrantes alemãs reconhecida como patrimônio nacional – o Centro Histórico de Hamburgo Velho – Novo Hamburgo também tem uma grande área – o Corredor Cultural – em processo de reconhecimento pelo Estado do Rio Grande do Sul.

Reproduzo as palavras de cada um deles sobre a tarefa que assumiram (de novo em ordem alfabética):

Ênio Brizola: “Participei da criação e integro a Frente Parlamentar de Defesa do Patrimônio Histórico de Hamburgo Velho em razão da nossa identificação com essa temática. O coletivo que compõe o nosso mandato identifica a cultura como um dos caminhos possíveis de desenvolvimento para a cidade. Além disso, queremos garantir o direcionamento de recursos públicos para o bairro, o que possibilitará a instituição de políticas públicas para que Hamburgo Velho tenha desenvolvimento econômico sustentável juntamente com a preservação da nossa história”.

Felipe Kuhn Braun: “Hamburgo Velho é um bairro importante e significativo para a cidade, e a criação da frente parlamentar permite que se discuta de forma mais ampla quais são as reais demandas da comunidade.”

Professor Issur Koch: “O objetivo da comissão é a Câmara ter um dispositivo para trabalhar em prol de antigas e novas demandas relacionadas ao patrimônio de Hamburgo Velho. Entre os pontos específicos que serão tratados pelo grupo de trabalho estão a regularização dos prédios históricos e a questão da venda de índices. Assim, as áreas tombadas e em tombamento fazem parte do escopo de ação dessa frente parlamentar. O prazo para a conclusão dos trabalhos vai depender da velocidade com que o Poder Executivo também aborde essas questões.” 

 

 

 

 

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