– Novo Hamburgo – 14/03/17 –

Os taxistas de Novo Hamburgo – e não só os da cidade – vivem dias de aflição, com o avanço dos serviços de transporte oferecidos através do aplicativo Uber, perdendo renda a cada dia. Em consequência, cresce a tensão que, hoje se manifestou de forma violenta. Cerca de 80 taxistas foram à Prefeitura solicitando agilidade da administração na regulamentação deste tipo de atividade. Um grupo acabou agredindo um jornalista, Martin Behrend, que fez a cobertura dos acontecimentos.

Independente da posição assumida pelo jornalista (nem sei se contra, a favor ou ainda prudentemente estudando o assunto), não há argumento que justifique a agressão. Ponto.

Além disto, evitar estas atitudes é do interesse da categoria, porque só a prejudicam no debate sobre os serviços de transporte individual que, sendo públicos, devem ser regrados pelo poder público.

Depois de conseguirem marcar para amanhã uma audiência com a Prefeita e com a Secretaria Municipal de Segurança, os 80 taxistas (dos 190 atuando regularmente na cidade) desceram à Câmara Municipal, onde foram recebidos pela presidente Patrícia Beck e pelos outros três vereadores que compõem a direção da casa, Naasom Luciano, Vladi Lourenço e Felipe Kuhn Braun.

Ouvidas as muitas manifestações, a presidente explicou, com propriedade e ponderação, os limites de uma iniciativa vinda da Câmara (que pode ser vetada em alguns pontos pelo executivo, por vício de origem, atrasando as definições urgentes e necessárias) e propôs a formação de uma Comissão de Vereadores para acompanhar de perto este assunto. Pediu também que indicassem representantes para exporem o problema aos demais vereadores, na sessão de amanhã.

Queixam-se, os taxistas de que estão sofrendo um concorrência predatória, irregular e injusta, não apenas do sistema Uber, mas extremamente agravado por este. A eles, taxistas, é exigido o cumprimento de uma série de normas, com cobertura de pontos e área geográfica de atuação, preços estipulados pelo poder público e padrões mínimos de equipamento.

Os que operam pelo sistema Uber, segundo os taxistas, disputam os pontos com ele, sem a necessidade de garantirem disponibilidade de transporte nestes mesmos pontos. Além disto, operam com tabela de preços regida pelo momento do mercado. Um motorista de táxi não pode cobrar a mais ou a menos do que o determinado pelo táximetro.

Não é um assunto de fácil solução. Envolve o interesse público em mobilidade facilitada e a custos menores, mas também o interesse público em garantias mínimas de qualidade e sustentabilidade do sistema. Envolve o interesse de cada cidadão na redução de seu custo de vida, mas também o interesse de cada profissional em remuneração e condições de trabalho.

Mas o tema precisa ser enfrentado, com coragem, ponderação e sentido de urgência.

Para saber mais, sugiro a leitura da notícia redigida pela assessoria de comunicação da Câmara de Vereadores: https://wordpress.com/post/carlosmosmann.wordpress.com/2582

 

 

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