– Novo Hamburgo – 12/03/17 –

Vocês não acham que o secretário de Obras Públicas e Viárias de Novo Hamburgo, Faisal Karam, ao posar para foto na reabertura da pista interditado da rua Sapiranga, lembrava, de alguma forma, o ilegítimo Michel Temer na transposição de águas do rio São Francisco para o sertão seco da Paraíba?

Claro que a diferença entre as duas obras é brutal, mas estou me referindo à ginástica verbal para omitir o mérito do governo anterior (por pequeno que seja).

Temer, sem poder falar mal da obra dos governos petistas que o antecederam (e do qual ele participou, inclusive talvez dos eventuais desvios que acontecem historicamente nas obras públicas do país) fez o discurso esfarrapado de que a transposição do Rio Francisco não era deste ou daquele, mas do povo, por ter sido custeado com dinheiro público. Mera politicagem.

Como se o mérito político não estivesse exatamente no processo de decisão do uso do dinheiro público. Faz diferença gastar o dinheiro público numa obra para combater o flagelo da seca ou para salvar, com dinheiro público, instituições financeiras privadas.

O Faisal, até pouco tempo do mesmo PMDB do Temer mas ainda filiado à mesma forma de fazer política, aproveitou a entrega da obra da rua Sapiranga não para ignorar o adversário, mas espetá-lo com pequenas insinuações do tipo “aceleramos os trabalhos” ou “tivemos que fazer alterações no projeto”. Como no caso de Temer, mera politicagem.

Se aceleraram as obras – o que não é provável – foi por existirem recursos em caixa (e este é grande mérito do governo que o antecedeu, do Luís Lauermann, um dos raros (*) no Estado e no país que deixaram situações financeiras relativamente saudáveis ao seus sucessores). Se houve necessidade de alteração no projeto, isto é absolutamente corriqueiro tanto na administração pública como na privada.

O problema é que a gente – nós todos, povo da cidade e do país – queremos realmente, ardentemente, que alguém comece a fazer a tal “nova” política. Não é um problema só do secretário Faisal, mas generalizado e histórico, que contamina também gente do meu partido: colocar a disputa acima dos interesses da coletividade, simplesmente porque a disputa ocupa mais espaços na mente e nos corações do que os interesses da coletividade.

É uma inversão muito sutil, mas que faz enorme diferença. Quero tomar como exemplo um assunto que interessa a toda a coletividade: panelas!

Não estou falando das panelas que pararam de bater contra a corrupção, como se agora este problema estivesse resolvido, mas das panelas no asfalto. Ah, se estivéssemos ainda na administração do prefeito Luís ou do Tarcísio, o jornalequismo buraquista estaria fazendo o maior estardalhaço. É que o secretário Faisal está levando uma sova dos buracos no asfalto da cidade.

BURACO 1

Vamos a alguns exemplos, pra depois falar um pouco mais sério sobre o assunto: o buraco desta foto, assim como o da foto principal deste artigo, está na rua Epitácio Pessoa, principal ligação do bairro Primavera com a Escola Liberato Salzano.

E que tal este, a seguir, na avenida Primeiro de Março, a uma quadra da Sinoscar?

BURACO 8

Fornido, né?

Tá cheio de perigos iguais a este nas vias de Novo Hamburgo. E a atual administração não está dando conta do problema. Nem mesmo consegue manter sinalização adequada para alertar os motoristas. A Primeiro de Março, a Pedro Adams Filho, a rua Miranda no bairro Liberdade, estão cheias destas panelas.

Mas Novo Hamburgo não é a capital dos buracos. Nem este problema é culpa da atual administração. É uma aflição de todas as administrações públicas do país (em muitos casos, o problema é muito maior, não se resumindo aos buracos, mas à falta de qualquer tipo de pavimentação).

As soluções – nunca definitivas, ao menos no curto e médio prazos – passam por um grande número de questões, desde o relacionamento com as empreiteiras que são contratadas para a execução dos serviços até a adoção de prioridades de investimentos, passando por escolhas técnicas, considerações ambientais e planejamento viário, coisa que, segundo me consta, foi pensada a fundo, pela última vez, lá no início da década de 70, no governo do meu tio, Alceu Mosmann.

O que quero dizer é merecíamos (todos nós) mais do que estes exercícios verbais de pequenas insinuações, mas debates profundos sobre os grandes problemas da cidade. O vereador Ênio Brizola, a propósito, na legislatura anterior, propôs e aprovou um projeto de lei determinando o uso de calçamento permeável para as novas obras de pavimentação da cidade.

O projeto foi vetado pelo prefeito Luís (e os dois são petistas). Não sei, na profundidade, se deveria ter vetado ou não. Mas sei que o problema do escoamento das águas tem muito a ver com a buraqueira da cidade.

Tomo como exemplo o que está acontecendo no encontro da rua Guia Lopes com a Pedro Adams Filho.

BURACO 4

O que chama atenção é o enorme buraco em expansão. Mas, ali ao lado, quase imperceptível, vai se criando um problema que pode ser muito maior.

Ao lado de um poste de concreto, pequenos orifícios no asfalto denunciam a presença de uma cratera devorando o chão debaixo do asfalto. As consequências, veremos em breve. Tomara que não seja um problema muito sério.

No entanto, buracos que ainda não apareceram são um tema que preocupa pouco os governantes, boa parte dos vereadores, a política menor e o jornalequismo buraquista.

(*) O atual prefeito de Campo Bom, Luciano Orsi (PDT), por exemplo, que sucedeu Karam no comando da cidade ao vencer seu candidato nas últimas eleições, tem batido na tecla de que recebeu o município em terríveis dificuldades financeiras.

Restam duas observações:

  1. Publiquei este texto hoje (12/03/17) pela manhã, frisando que estava chovendo aos montes e a chuva traria novos problemas. Estava pensando no asfalto. Agora, à tarde, passo pela rua Sapiranga e vejo que a obra, apesar do projeto revisto, não aguentou nem uma semana. O secretário mordeu a língua! Vejam a foto: JÁ
  2. Um amigo, Cleo Oliveira, comentou, vendo este “post” no “facebook”, que “além da buraqueira tomando conta, as praças estão ficando totalmente encobertas pelo mato.” Respondi: “A combinação de calor e umidade, muito acentuada neste verão, faz a vegetação crescer a mil. Tenho andado pela cidade e vejo que há trabalho de limpeza e conservação de praças, mas as equipes não dão conta de tudo. Sexta passei pela praça da rua Buenos Aires e a grama foi cortada há poucos dias. Tá bem legal. Em compensação, na vila Kroeff, os canteiros da Marques de Olinda estão há mais de dois meses sem nenhum cuidado. Tá virando depósito de lixo, bem diante de uma escola municipal, a Padre Reus. Falar é muito fácil – e isto eles continuam fazendo. O Parque Floresta Imperial está muito bem porque o prefeito Luís promoveu um convênio com a Comusa. Mas o mérito parece ser da atual administração e ela se esforça para passar esta impressão. Aliás, o Luís fez o quase nenhum prefeito faz: mesmo derrotado, cuidou muito da cidade nos seus três últimos meses de gestão. Isto, sim, é novidade – ou, pelo menos, raridade – na política.” E postei a foto: MATO 1

 

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