– Novo Hamburgo – 04/03/17 –

Tá pegando muito mal, junto à opinião pública, a velha política da atual (não tão nova) administração municipal de Novo Hamburgo.

Nem sou eu quem está dizendo. Até o jornal “NH”, naquela coluna de opiniões rápidas sobre os fatos da cidade, ontem, mostra que formadores de opinião interpretaram como mero exercício da velha política a prestação de contas da prefeita Fátima Daudt… pintando como um quadro de inferno a realidade que recebeu de seu antecessor, Luís Lauermann.

A apresentação, aliás, feita na Câmara de Vereadores na última quarta-feira, foi levada antes à Associação Comercial. E isto me parece ter sido pouco ponderado. Mesmo decidido sem nenhuma intenção ruim, aponta para uma escala de importância… equivocada, no meu entendimento.

Voltando ao que foi apresentado: alardear uma cifra de R$ 100 milhões como grande problema, quando ela é apenas contábil, referente a uma depreciação de patrimônio não calculada, chega a ser uma afronta à inteligência. Equivale a dizer que você está tendo um prejuízo de R$ 1.00o,00 se calcular que sua TV vale R$ 1.500,00 quando, por ser usada, só pode ser vendida por talvez 500 pilas.

E dizer que existe um rooooombo de R$ 29 milhões com base em es-ti-ma-ti-vas de valores que devem entrar nos cofres da Prefeitura, num Orçamento que prevê arrecadações e gastos de mais de R$ 1 bi, pode ser chamado de quê?

Para mim, mais um exercício da vetusta nova política, de se fazer passar por não-político enquanto desanca o adversário com o primeiro argumento que lhe cai à mão.

Pior é que este mesmo “cálculo” já foi estimado em R$ 50 milhões, ao final do ano passado.

vetusta-nova-politica

O que me espanta é que a gestão tucana da prefeita Fátima teria algo a mostrar, sem perder tempo e credibilidade com este marqueteirismo ultrapassado. Teria críticas consistentes a fazer e dificuldades concretas a mostrar, sem negar tudo que o governo anterior fez e sem exagerar nos seus defeitos.

Ao mostrar o que está fazendo, porém, por trás das estratégias de aparentar, há um silêncio assustador. Observe-se, por exemplo, o espaço de notícias do site da Prefeitura. Algumas coisas chamam atenção. Por exemplo, qualquer prisão efetuada pela Guarda Municipal é apresentada como notícia, como se isto não fosse rotina.

Bem, dá pra defender que é um trabalho inteligente. Até valoriza o trabalho dos guardas municipais e isto é bom. No entanto, quando se noticia uma reunião da prefeita com as autoridades, falam-se em planos e projetos, mas nenhuma palavra sobre seu conteúdo.

Observem o seguinte parágrafo, da notícia divulgada no dia 24 de fevereiro, sob o pomposo título: “Prefeita reúne cúpula das forças de segurança do município para discutir ações”:

– “A Prefeita colocou a prefeitura à disposição para auxiliar nas ações integradas entre as forças de segurança. O consenso de todos os participantes da reunião foi da criação de ações práticas e imediatas, com reuniões periódicas de avaliações de resultados e de planejamento estratégico entre a secretaria de Segurança, Brigada Militar e Polícia Civil. Segundo Roberto Jungthon a reunião foi altamente rentável.“Ponto positivo pelo firme propósito da administração pública congregar os esforços no sentido de aumentar a segurança para a comunidade hamburguense”, afirmou o secretário de segurança.” 

Este é um formato quase padronizado das notícias divulgadas pela Diretoria de Comunicação. A impressão que me dá é que há algo além do desejo de esconder um vazio de propostas (até porque não há um vazio de propostas). O que me parece é que o grupo que agora está no poder pensa que tudo que o cidadão precisa saber é que a Prefeitura está trabalhando. Que pensar é assunto para a cúpula.

Devo voltar a frisar, volta e meia: esta política, de decidir a portas fechadas e em gabinetes não é uma exclusividade tucana. Meu partido, o PT, pecou muito neste sentido também, o que torna até doído fazer esta crítica agora. A questão que interessa, no entanto, não é ficar neste jogo de acusações e contra-acusações, mas justamente insistir que precisamos, urgentemente, de uma verdadeira “nova” política.

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