– Novo Hamburgo – 03/03/17 –

Dia destes alguém me criticou, meio que bem azedamente, por causa de alguns termos que gosto de usar nos meus textos – “jornalequismo”, “jornal Hiena Gagá”… me chamando de desequilibrado.

Sem perder o equilíbrio, considerei a crítica e refleti um pouco sobre ela. Afinal, antes alguns amigos me observaram que alguns termos eram fortes demais, especialmente o “prefeita 20 por cento de Novo Hamburgo”. Quem sabe não tem razão?

Pensei também no outro lado. Também posso estar certo. Uso estes termos porque funcionam como bordões de identidade para conteúdos.

Cada vez que eu escrevo “prefeita 20 por cento…”, por exemplo, nos poupo de uma longa explicação sobre a legitimidade limitada (embora real) da nossa atual mandatária. Mas, volta e meia, friso que ela tem mais legitimidade do que qualquer outro candidato nas eleições do ano passado. E que ela tem convicções legítimas, embora diferente das minhas.

Quando falo em “Hiena Gagá”, traduzo com esta simples expressão meu entendimento de que o jornal NH representa um pensamento elitista e, na minha opinião, conservador e ultrapassado. Isto não me impede de reconhecer a importância do trabalho deste jornal e de seus fundadores para o desenvolvimento de Novo Hamburgo. Os irmãos Paulo Sérgio e Mário Alberto foram (Mário ainda é) homens de convicções fortes, corajosos e pró-ativos. Também faço menção a este fato, volta e meia.

Não acho que seja um desequilíbrio. A não ser que bom-humor seja desequilíbrio.

Eu ia já pensando em escrever que desquilíbrio é o ódio, quando me bateu uma voz, lá no fundo da minha consciência, em ritmo e pegada de rock: “Fale mais alto, Albert Einstein”.

A voz é do Nenung, brilhante (no melhor sentido) artista hamburguense, do tempo em que cantava com sua primeira banda, a Barata Oriental.

Que grata lembrança! Prefiro o bom humor do cientista genial, Albert Einstein, mostrando a língua para um fotógrafo que queria uma imagem comportada, do que cultivar este ódio doente que está fazendo nossa sociedade sofrer tanto.

Einstein, aliás, além de cientista brilhante, foi um profundo filósofo e um militante pacifista (sem falar de que gostava, mesmo, era de tocar violino). Foi signatário, junto com o matemático e filósofo socialista Bertrand Russel, em 1955, do célebre Manifesto Russel-Einstein, em que, junto com outros dez renomados cientistas internacionais, alertaram a sociedade para os perigos, não tanto da corrida nucelar, mas de sua principal causa:

– Esta sombria perspectiva da raça humana está além de qualquer precedente. A humanidade encontra-se perante uma clara escolha: ou adquirimos um pouco de sensatez, ou iremos todos perecer. Uma reviravolta do pensamento político terá que acontecer para que seja evitado o desastre final.

Einstein também me ajudou a resolver definitivamente a questão do equilíbrio. Uma de suas frases mais célebres, de extrema simplicidade mas profundo conteúdo científico é a vida parece com andar de bicicleta – quem não anda, perde o equilíbrio.

Então, segue o barco… e lembrei de mais alguns versos do Nenung, jogando pá de cal sobre o assunto:

– Pare de dançar direito. Pare de olhar pro lado. Pare de dançar direito: dançar direito é que é dançar errado.

E isto é definitivo. Meu lugar, decididamente, não é dentro da caixinha.

Muito obrigado, Nenung!

 

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