Tenho observado aqui – e até elogiado – alguns aspectos realmente novos (e saudáveis, na minha opinião) da gestão da prefeita 20 por cento de Novo Hamburgo, Fátima Daudt. Tenho, também, feito críticas duras a aspectos tristemente velhos da sua ação. Ela vive, parece, numa crise de identidade.

Agora a entrevista que a prefeita deu, junto ao seu Secretário de Obras, Faisal Karam (veterano político, que já foi prefeito da vizinha Campo Bom), sobre os danos da enxurrada do fim de semana anterior, simplesmente extrapolou. Vai ficar na conta dos episódios da guerra partidária insana que vivemos no Brasil. Eu ia dizer que beirou o ridículo, por educação…

… mas, por sinceridade, devo dizer que, infelizmente, mergulhou no ridículo.

Os governos do PT… responsáveis pelos danos da enxurrada? Mas… se aquela  água toda tivesse caído antes dos anos das administrações petistas, ou mesmo nos seus primeiros anos, como de fato, aconteceu, centenas de famílias estariam desabrigadas na última segunda-feira. A própria prefeita, em seu relatório à imprensa, informou que apenas 25 pessoas foram desalojadas.

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Não vou ficar repetindo o que ela disse. Dá pra ver nas ilustrações deste post. Mas vejam esta afirmação, a ela atribuída pelo jornal Tribuna da Cidade: os prefeitos Tarcísio e Luís teriam permitido a implantação de 15 loteamentos clandestinos, sem que os mesmos tivessem as mínimas condições de infraestrutura…

… ora, em primeiro lugar: se são clandestinos, não foram permitidos. A prefeita tem quatro anos para nos mostrar como é que se faz para não permitir aquilo que não é permitido. Até agora, sua proposta mais visível para enfrentar o problema habitacional foi a extinção da Secretaria Municipal de Habitação.

… vale lembrar que há loteamentos – não só permitidos como promovidos por governos anteriores, que seu partido, o PSDB, apoiou e do qual participaram nomes que estão também no seu atual governo – onde se registravam grandes problemas a cada chuva de maior intensidade. Marissol, Nações Unidas… entre outros. Centenas de famílias eram prejudicas.

… hoje, só 25 pessoas.

Se contarmos outros loteamentos clandestinos ou semi-clandestinos, anteriores às gestões do PT, como a Kipling, em Canudos, e a Palmeira, no bairro Santo Afonso… milhares de famílias eram prejudicadas, a cada chuva de maior intensidade. Nem precisava ser aquela água toda do último final de semana.

… hoje, só 25 pessoas. Deve existir alguma razão para esta redução, tão significativa.

E existem. Várias.

Foi o governo do Tarcísio que consertou a Casa de Bombas no bairro Santo Afonso, desassoreou o arroio Pampa e conseguiu recursos para regularizar, com “as mínimas condições de infraestrura”, a vila Kipling e a parte já realizada da Palmeira.

Aliás, sugiro aos meus leitores que visitem estes locais e anotem o que significa “as mínimas condições de infraestutura”. E vamos ver a quantas novas famílias a atual gestão, considerando desnecessária uma Secretaria de Habitação consegue oferecer estas “mínimas condições de infraestrutura”.

Tomara que consiga ao menos empatar com a média dos governos petistas. E este não é um desejo meu, mas de milhares – ainda – de famílias hamburguenses!

Continuando a listas as razões concretas para a diminuição dos danos a cada chuva mais intensa em Novo Hamburgo:

Foi o governo Luís que deu continuidade às obras na Kipling e na Palmeira, que canalizou o arroio Pampa… que viabilizou e deu início às obras do extravasor do arroio Pampa, no trecho em que acompanha o trajeto da rua Ícaro.

Não é burrice política reconhecer os méritos do adversário. Também não é burrice política criticar o adversário, mas naquilo em que a crítica tem consistência.

A prefeita Fátima pode, por exemplo, criticar a má qualidade do diálogo entre os governos petistas e os servidores públicos municipais.

Pode também apontar problemas pontuais.

Quando ela diz que poderia ter ocorrido uma tragédia na Escola Pica Pau Amarelo, está coberta de razão. E nós, petistas, com humildade deveríamos aplaudir a atitude que a nova gestão tomou, de mudar esta escola para outro endereço.

Pode apontar que o vazamento de gás na Escola Joaninha foi decorrente da má execução da obra, inclusive com canalização inadequada.

A execução de obras públicas, aliás, tem um longo histórico – tão longo, talvez, quanto a História do país – de problemas nas obras públicas.

É bom que cada evidência de obra mal-executada seja exposta à opinião pública. E que se investigue, para saber como e porque estas coisas acontecem tanto, em todos os tempos e lugares. E que se aperfeiçoem os controles.

Aí estaríamos no campo desejável, ético e construtivo, da disputa política. E isto seria, realmente, novo.

 

 

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