Novo Hamburgo –

Os dois vereadores do meu partido, Ênio Brizola e Nor Boeno, estão sofrendo duras críticas por seus votos, contrários ao projeto de lei que institui o Programa de Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal. Compraram briga até com militantes fortes do PT – aliás, o projeto é de autoria do também petista Fufa Azevedo, na legislatura passada.

Pois eu me atrevo a defendê-los, assim como defendo a postura (não o voto, certo?) deles e dos dois peemedebistas, Serjão Hanich e Inspetor Luz, que disseram ao não ao projeto (agora aprovado e aguardando sanção ou veto da prefeita Fátima Daudt).

Primeiro, que ninguém deveria acusá-los de politiqueiros. Pelo contrário, sua posição foi a de correr risco político. Fácil seria simples e concordinamente bater palmas. Ocorre que os carroceiros, além de serem pouco numerosos, não tem praticamente articulação política. Boa parte sequer é eleitor.

Ocorre que pelo menos três (Brizola, Nor e Serjão) são vereadores de vila. Conhecem de perto a situação do povo mais pobre.

Brizola, aliás, como diretor de Economia Solidária, no governo do Tarcísio, participou muito ativamente do projeto que resgatou e deu dignidade aos catadores de Novo Hamburgo (história digna de ser conhecida com mais profundidade por nosso povo, por seu conteúdo humano e pelo comprometimento apaixonado dos servidores públicos da Secretaria de Desenvolvimento Social).

Nenhum dos quatro votou por maldade, por não gostar dos animais. Votaram porque pensaram nos seres que ficam na parte de cima das carroças.

Peço licença para publicar os trechos mais importantes do texto que recebi do Brizola e do Nor, explicando sua posição:

Nosso ponto de vista

“O debate gerado pelo projeto está desvinculado do seu conteúdo, da real possibilidade de efetividade (grifo meu).”

“Um projeto sobre a extinção da utilização de veículos com tração animal, como meio, inclusive, de subsistência (grifo meu), em uma cidade como Novo Hamburgo, é de imensurável relevância.”

Este projeto não pode ser motivo para um enfrentamento entre os protetores dos animais e os usuários de veículos com tração animal, ao contrário, ele pode e deve ser o ponto de encontro dos dois grupos (grifo meu).”

“Tão importante quando discutir o fim do uso de veículos com tração animal é discutir a garantia de subsistência dos carroceiros e suas famílias. Deve haver previsão expressa de formas alternativas de inserção dos carroceiros no mercado formal de trabalho.”

“Contudo, o Projeto em tela, aprovado, na tarde do dia 22 de fevereiro de 2017, não aprofunda estes temas, não especifica o método e não apresenta sequer cronograma de ação.”

“Assim, o conteúdo do Projeto não condiz com a realidade social atual e servirá, apenas, para precarizar ainda mais, a já combalida subsistência de inúmeras famílias (grifo meu).

“De se elevar a consideração de que o país vive uma crise, sem investimento estatal no bem-estar social da população (grifo meu), com alto índice de desemprego, duros cortes em programas sociais, saúde e educação, ameaça de aniquilação da previdência social e retrocesso jamais visto pela classe trabalhadora no que diz respeito aos seus direitos e garantias.”

“Por fim, considerando que o Poder Legislativo, por maioria, aprovou o projeto do modo posto e, após a sanção do Poder Executivo, em homenagem aos princípios republicanos e democráticos, aos quais temos tanto apego, nossa bancada, de imediato, se coloca como parte atuante para que um cronograma de ações efetivas seja estabelecido pelo Poder Executivo, com o diálogo respeitoso entre os carroceiros e os protetores dos animais (grifo meu). Tudo para que, de fato, haja a real implementação de uma política pública que dê sentido à extinção gradual do uso de veículos com tração animal.”

Quer saber? Eu parabenizo o Brizola, o Nor, o Serjão e o Inspetor Luz. A gente não tá querendo político que assuma posição difícil? Taí. Saudações a quem tem coragem. (*)

O projeto é muito bacana e muito bom. Mas colocá-lo em prática, neste momento de crise, não é nada fácil. Pode ser fácil perseguir os carroceiros por aí – coisa que até manchete de jornal pode dar – mas ajudar a qualificá-los para um mercado de trabalho cada vez mais difícil e excludente… quem garante?

(*) Não quer dizer que os outros não tenham votado de acordo com suas convicções ou simplesmente agradar uma parcela considerável e militante da opinião pública local.

 

 

 

 

Anúncios