Novo Hamburgo –

O jornal Hiena Gagá (*) acha que a onda das bicicletas antigas é mais importante do que a mobilização sindical, política e comunitária, em Novo Hamburgo, contra a Reforma da Previdência. A prova está na página sete da edição de ontem deste diário tão influente no cotidiano hamburguense.

Tudo bem, o jornal, seus donos e acionistas tem o direito de pensar como quiserem. E seu pensamento é conservador e elitista desde sua fundação, lá no início da década de 60. Agora, nesta história da Reforma da Previdência, por exemplo, imagino que eles compartilhem da opinião de que ela é absolutamente indispensável para “salvar o Brasil”.

Mas daí a achar que, como notícia, a onda das biciletas antiga merece mais destaque?… será que vende mais jornal?… ou os editores preferiam nem ter que dar a notícia de que está ocorrendo uma articulação muito forte na luta em DEFESA da Previdência Social?

Bem, na edição de hoje, não encontrei nenhuma linhazinha sobre o lançamento do Comitê Municipal em Defesa da Previdência, que aconteceu ontem à noite, na Câmara de Vereadores, com a casa praticamente lotada.

Nem sei se algum repórter fez a cobertura do evento. Eu não pude ir. Estava na UPA 24 horas – obra importantíssima do ex-prefeito Tarcísio Zimmermann. Mas tratei de me informar hoje de manhã cedo e constatei que o encontro foi importantíssimo e estimulante, articulando uma série de ações relevantes para os próximos dias.

Vejam só:

  • No dia 04 de março (sábado da próxima semana) vão ser realizadas quatro debates para informar o povo de Canudos sobre o que a Reforma vai significar para suas velhices – um na vila Marissol; um na Iguaçu; um na Getúlio Vargas e o quarto na sede do Veteranos, por intermédio do vereador Fernando Lourenço, liderança importante do clube.
  • O próprio apoio do vereador Fernandinho é um sinal relevante da importância que este assunto tem para o povo. Outras lideranças comunitárias importantes estavam lá, se prontificando a ajudar na divulgação e mobilização, esquecendo até diferenças e disputas locais. Exemplo: o vereador Nor Boeno (PT) vai trabalhar ao lado do Pedrinho Oliveira, que é filiado ao PDT, ambos da Vila Iguaçu.
  • Vale lembrar, aliás, que a própria Câmara criou uma Frente Parlamentar em Defesa da Previdência, em requerimento assinado por 12 dos 14 vereadores (parece que o Hiena Gagá não conseguiu ver importância neste fato).
  • Partidariamente, ontem o PDT se somou ao movimento, que já vinha contando com apoio do PT, do PSOL e do PCdoB.
  • O Comitê continua se reunindo, todas as quartas-feiras de manhã, na sede do Sindicato dos Sapateiros e Sapateiras e já conta com a participação, além do anfitrião, também dos Sindicatos dos Bancários, dos Comerciários, dos Metalúrgicos e dos Professores Municipais.
  • As mulheres, aliás (são maioria na categoria dxs professorxs) estão tendo participação forte e decisiva nestas articulações. Claro, quem mais vai perder com esta Reforma são justamente elas.
  • Dia 16 de março vai ter um Seminário sobre o tema, com palestras de gente do poder judiciário e técnicos em Previdência Social, em local a ainda a ser mrarcado.
  • Novos ciclos de debates vão ser realizados em outros bairros da cidade.

… será que as biciletas antigas são mesmo mais importantes?

(*) Hiena Gagá é o apelido que um grupo de militantes culturais da cidade deu ao jornal NH, no início da década de 70. Como é divertido, passei a adotá-lo, também porque traduz o que eu considero uma visão de mundo ultrapassada da realidade. Por dever de justiça, no entanto, devo frisar que as opiniões do jornal, embora elitistas, são legítimas e honestas. O jornal NH e o Grupo Editorial Sinos, por mais que eu discorde de suas posições e até de sua prática jornalística, tem uma história consistente de apoio a causas comunitárias que contribuíram decisivamente para o desenvolvimeto da nossa cidade. A lista é muito grande e inclui desde a luta por uma telefonia moderna (que significou anos de vantagem comparativa para nossa economia, nos anos 60, frente a outras municípios; até uma campanha extraordinária com o ojbetivo de disseminar o uso de computadores, em meados da década de 80 – o visionário Projeto Agora.

 

 

 

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