Novo Hamburgo –

Imagino que hoje tem fotos bem espetaculares nos jornais e blogs locais, mostrando as inundações. As matérias vão falar dos prejuízos, que foram muitos…

… e não vão chegar nem perto da conta final. Além dos pontilhões arrastados, das casas invadidas, dos lamaçais espalhados, das crateras nas ruas, tem os estragos que não aparecem de imediato.

É que a canalização de Novo Hamburgo é pluvial, mas recebe a potência corrosiva do esgoto cloacal, além de ser em grande parte de qualidade inferior. Pequenos vazamentos vão abrindo buracos debaixo das ruas e calçadas, que só vão se abrir, como crateras, semanas e meses depois do fato gerador inicial.

Mas nem isto é o mais importante. O que pouco se fala e é o fato mais importante e recorrente é a frequência assustadora com que estas explosões climáticas vem se repetindo. No verão de 2014, tivemos recordes históricos de precipitação pluviométrica (que quer dizer enxurrada). Ainda não sei qual o volume do aguaceiro de ontem, mas é bem possível que os recordes históricos de décadas tenham levado apenas três anos para serem superados.

Em decorrência do espanto causado pelos sucessivos espetáculos climáticos, deveríamos também estar nos perguntando seriamente sobre as causas destes fenômenos. Mas isto sempre é uma notinha que apenas complementa a informação “importante” – a que vende jornais e rende vizualições nas redes sociais! Parece que todo mundo já sabe que isto é consequência do tal aquecimento global e, como todo mundo já sabe, não é notícia.

Todo mundo já sabe? uma pinóia! Não tem noção da bomba relógio que está se armando. Cê sabia, por exemplo, que a desertificação global avança na razão de 12 milhões de hectares ao ano? Pra visualizar, pense em 24 milhões de campos de futebol transformados em deserto, num só ano. Ou num Brasil inteiro, desertificado, nos próximos 35 anos.

Confira o link (observo que foi publicado em 2015, mas que o título do artigo continua atualíssimo, perguntando “porque este assunto não está na capa dos jornais?”:

http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FMeio-Ambiente%2FDesertificacao-por-que-este-assunto-nao-esta-na-capa-dos-jornais-%2F3%2F32899

O agronegócio é cada vez mais eficiente, não só em extrair cada vez mais produtos da terra, mas também na destruição dos solos. É por isto que avança com tanta avidez sobre os solos que restam, como a Floresta Amazônica, por exemplo. Deveria nos inquietar que o desmatamento e a desertificação até são divulgados pelo grande jornalequismo, mas não se fala sobre o que está causando este processo.

Tenho outras notícias ruins para lhes dar nesta segunda-feira. Li, há pouquinho, que a usina nuclear de Fukushima (… lembra? aquela que uma Tsunami detonou, no Japão, há apenas seis anos atrás e já quase se perde na nossa memória?…) está com seu maior nível de radiação interna desde o desastre.

A radiação está tão alta que um robô utilizado para trabalhar dentro do reator avariado (nenhum ser humano sobreviveria a esta exposição) fica inutilizado em menos de dois dias. O custo para desativar a usina em segurança, numa operação que ainda vai durar trinta anos, já é duas vezes maior do que o estimado em 2013.

E a gente, aqui, achando que está bem informada e que vamos resolver o problema “fazendo a nossa parte”, separando o lixo, economizando água e até plantando uma hortinha orgânica na sacada do ap…

… desculpem, isto tudo é bacana e necessário, mas “nossa parte” é bem maior do que isto.

 

 

 

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