Novo Hamburgo –

Já saí de casa com chuva e ela foi ficando mais forte, pouco depois das 18hs, ontem. Pensei que não ia encontrar ninguém no “Fim de Tarde”, evento criado pelo povo que está na Casa da Praça, ali no bairro Boa Vista, pertinho da Rondônia.

Engano meu.

Não era tanta gente, mas, para quem está acostumado a não encontrar ninguém em outras situações semelhantes, era mais do que uma multidão em tarde ensolarada.

Os organizadores não fugiram da chuva. Cancelaram o evento mas continuaram lá, trabalhando e recebendo os meio fora da casinha, como eu, que insistissem em conferir, apesar da água que estava caindo.

Mais de 20 pessoas com certeza. Ficaram de conversa, de troca de informações, de planos. Tinha gente reunida nas salas internas. Tinha até um bolo, já fatiado. Quem quisesse se servia. E chimarrão, né?

Quando saí de lá, quase 21hs, ainda ficaram uns seis ou sete… e já tinha um sugerindo buscar umas cervejas!

Tou tentando pintar um quadro que mostre a relevância do que está acontecendo, hoje, na Casa da Praça.

Há uns quatro anos atrás, era uma casa abandonada, causa de preocupação para os moradores da vizinhança. Tinha sido a sede de uma das instituições mais vibrantes da Cultura hamburguense, o instituto dos Meninos Cantores, que deu formação qualificada em música para um número que não sei calcular, mas é significativo, de artistas hamburguenses. Por estas coisas da vida, a instituição, de repente, praticamente ruiu. Existia como entidade registrada, CNPJ e tudo, mas… atividade? Nenhuma.

Hoje, a Casa abriga um bom número de artistas, arteiros, amantes e militantes da arte, que estão acelerando a vida cultural da cidade.

Dois dos coletivos culturais mais ativos de Novo Hamburgo estão estabelecidos na Casa da Praça: o Coletivo Consciência Coletiva (de muitas lutas pela preservação do patrimônio histórico; das feiras do livro independentes; dos mercados das pulgas…); e o Coletivo Manifesto Poesia (dos inspiradores saraus na Escola de Samba Cruzeiro do Sul), além de seis artistas ou grupos: Circo de Bolso; Circo Petit Poa; Roger Canal (poeta); Marcelo Marinoni (músico e poeta); Manushe Manollo (grupo de jazz); Bala de Funcho (produção teatral) e uma produtora cultural (Mariana Amaral).

São eles que organizam eventos diversos que já se firmam no calendário cultural da cidade, como os Piqueniques (domingo, dia 19, tem mais uma edição, focada no Carnaval, até com marchinha composta exclusivamente para o dia); “Os Fins de Tarde” (todas as segundas-feiras, até o fim de março); e o Clube de Jazz do Manushe Manollo, todas as quintas, das 19h00 às 22h00 (a partir do próximo dia 09). Também tem Capoeira, sábados pela manhã e terças à noite.

Todas estas iniciativas estão trazendo qualidade cultural à vida de Novo Hamburgo (assisti a algumas apresentações notáveis em edições do Piquenique)…

e ajudam a arrecadar grana para manter e consertar (e tem coisa pra consertar !!!) na casa que passou tantos anos abandonada. Na conversa, ontem, fiquei sabendo que estas promoções sustentam as contas de água, luz e telefone (com internet) e já custearam o conserto do telhado.

O telhado com suas dezenas de goteiras era um dos principais problemas da Casa, mas quem disse que a chuva derrotaria a gana realizadora dos artistas? Bem, o conserto não ficou perfeito – restou uma goteira e uma nova apareceu, resultante do último temporal. Mas, quem disse…?

Ah!… também já foram comprados os vidros para substituir os quebrados nas janelas basculantes. E tem gente que se ofereceu como voluntário para colocar os vidros nas esquadrias. Por amor !

O mais relevante, porém, na minha opinião, é que a Casa da Praça se apresenta como um dos pontos de referência da agitação cultural que vem crescendo na cidade (há vários coletivos atuantes, outros se organizando e muitas iniciativas de ocupação civilizada dos espaços públicos).

É da História da nossa cidade: quando artistas e arteiros se articulam e unem, o resultado tem sido saltos importantes de qualidade na produção coletiva e individual, além de conquistas importantes na infraestrura à disposição das atividades culturais.

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