Novo Hamburgo –

Fui ontem, levando um pedaço da família, à janta do PT de Novo Hamburgo, realizada no Sindicato dos Sapateiros e Sapateiras.

Teve pouco discurso (não precisava mesmo), mas muita música e poesia, no sarau e no vídeos e apresentações preparados para contar a história do partido.

Teve também muitos abraços.

Foi uma comemoração pelos 37 anos de existência do partido. E também uma homenagem à Marisa Letícia Lula da Silva, que há poucos dias nos deixou.

Claro que havia um certo peso no ar. Em todo o Brasil e particularmente em Novo Hamburgo, o PT vive dias muito duros e difíceis. Vilipendiado pela mídia, resistindo a uma campanha de ódio alimentada nas redes sociais, os petistas purgam também as feridas dos seus erros.

O notável, porém, é que tanta gente ainda consiga manter a cabeça erguida, sem esconder sua identidade. É que mesmo sofrendo com a erosão da credibilidade da legenda, este povo não deixou de acreditar em si mesmo.

Ainda se orgulha de feitos notáveis na História do país – e de Novo Hamburgo. Eu resumiria: da erradicação da fome (que agora volta a bater à porta de milhões de famílias brasileiras) à ampliação das oportunidades de acesso ao ensino superior.

Há razões de sobra para esta gente não se dispersar.

De um lado, fica cada vez mais claro que nenhuma outra legenda foi tão corajosa no enfrentamento da corrupção (sempre utilizada como argumento central dos golpes articulados contra os governos populares na História do país) e que o impeachment da presidente Dilma foi, de fato, um golpe articulado com a participação de quem desejava e deseja, desesperadamente, conter a avalanche de – desculpem a palavra – merda que ainda está por vir.

De outro lado, fica claro também que a razão maior do golpe foi estancar outra coisa, ainda mais importante: o desenvolvimento de políticas que estavam levando o país a um novo patamar de desenvolvimento econômico e social e a um novo posicionamento geopolítico internacional,

O ataque frontal e maciço do governo ilegítimo contra direitos e conquistas populares e nacionais está perturbando severamente a consciência de amplos setores da população, mobilizando reações consistentes por parte de entidades institucionalizadas e também de coletivos informais. Resistir ao desmonte destas conquistas é uma tarefa que fortalece a razão de ser da militância política.

Isto, porém, não garante a sobrevivência do partido, muito menos a recuperação de suas melhores virtudes.

Não há como negar que muitos militantes e lideranças petistas se lambusaram na latrina da corrupção e continuarão, se tiverem novas oportunidades)…

nem que muitos colocaram carreiras e vaidades pessoais acima dos interesses coletivos e das lutas em favor dos interesses populares (e continuarão, muitas vezes achando que suas disputas são essenciais por que apontam para o caminho “certo”)…

nem que usaram cargos e poder de barganha para reproduzir as estratégias de poder da chamada “velha” política (eita, velhinha com sempre renovado vigor !!!)…

… nem que se deixaram contaminar pelo vírus do ódio (disseminado intencionalmente, em todo o mundo, como estratégia de dominação – ainda não está claro?).

enfim, a lista de pecados é tão grande que até parece que o PT é constituído de seres humanos!

Não tem moleza pela frente!

Enfrentar o bloco dos interesses político-partidários tradicionais, alimentado pelo poder econômico do capital especulativo e, ainda, pelo grande jornalequismo (que vive de verbas publicitárias)?

Enfrentar as contradições e disputas internas quando secam fontes, sem usar as fraquezas humanas e as dificuldades concretas de subsistência para impor lideranças e caminhos?

Não tem moleza pela frente! Mas boa parte do povo que estava lá tem uma virtude essencial para enfrentar e, quem sabe, vencer estes tempos difíceis: a coragem…

… e aquilo que referi, lá no início deste texto: Teve, também, muitos abraços!

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