Rejane Zilles é a típica hamburguense: nem nasceu aqui. Não tem nada mais típico desta cidade do que ser migrante (imigrante) ou, pelo menos, filho de migrante. Pode ser negro ou poder ser alemoa.

No caso de Rejane, é bem alemoa. Quando chegou em Novo Hamburgo, vinda do mororóiter (Morro Reuter), falava rato com erre fraco e areia com erre forte. E, se hoje, tem até um pouquinho de sotaque carioca e é reconhecida internacionalmente, não esqueceu suas raízes. Virou artista, virou empreendedora e produtora cultural.

Saiu da roça… mas a roça não saiu dela. Graças a Deus.

Ela é uma alemoa brasileira de verdade. E ama demais sua terra e seu jeito. É amor. Não é preconceito. Nem sentimento de superioridade ou inferioridade. E ela não precisa finjir ou inventar uma alemoice que não existe e nunca existiu.

A alemoice dela é feita de batata, pão de milho, schmier de cana de açúcar, cuca com farofa e linguiça, churrasco e chimarrão. As bandinhas que ela curte tem uma ginga diferente, porque sua música, em algum momento, andou transando com brasileirices. Mas tem também as heranças fortes, valores culturais, técnicas de trabalho e artísticas que permanecem vigorosas.

Este, certamente, é um dos segredos (também tem trabalho, talento, coragem, etc.) não secretos de seu sucesso: ser, de fato, quem é. Aí, pode curtir Carnaval que não trai suas origens, mas as alimenta.

Produtora cinematográfica, Rejane já produziu três filmes riquissímos sobre esta cultura única, que começou a se desenvolver aqui no sul do Brasil.

O primeiro foi um documentário em curta metragem (mas profunda sensibilidade) “O Livro de Walachai”, sobre o professor Benno Wendling”. Outro- Também tratando de um personagem real, foi sobre o extraordinário artista plástico Flávio Scholles, seu conterrâneo e também um manancial inesgotável, de informações sobre o povo real destas Alemanhas. Entre os dois, o generoso e delicado “Walachai”, em que ela mostra a terra onde nasceu e cresceu e seu povo.

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Agora, está ela lá nas Alemanhas, lá no Hunsrück, de onde veio a primeira e maior parte dos imigrantes que colonizaram este pedaço de chão brasileiro. Está lá, mostrando justamente o seu filme, para um povo sedento de saber sobre o que sua vasta família plantou e colheu mundo afora.

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