Novo Hamburgo –

Leio no NH que os funcionários (servidores públicos estaduais) que trabalham no presídio de Novo Hamburgo fizeram uma vaquinha para comprar pelo menos três câmeras de videomonitoramento em substituição às 14 que faziam o controle interno e o governo do Estado deixou serem desativadas por não renovar o contrato de locação.

É tétrico. O governo do Estado não reajusta e atrasa salários dos servidores para fazer economia. Faz economia, mas não o suficiente para manter o sistema de controle interno de um presídio localizado no coração de Novo Hamburgo. Os servidores, com salários defasados e atrasados, fazem vaquinha para diminuir o problema.

A foto, registrando uma fuga do presídio, em março de 2015, é do jornalista Paulo Barcelos.

NOVOS RECORDES NO TUMELERO GRANDE DO SUL

Aliás, foram 200 os assassinatos cometidos em janeiro, na região Metropolitana de Porto Alegre. Aumento de pouco mais de 25 por cento sobre janeiro do ano passado.

Especificamente na capital, apenas na primeira quinzena do mês, já se havia registrado um crescimento de 18 por cento nas mortes por crime, na comparação com o mesmo período de 2016.

Porto Alegre já tinha batido recordes no ano passado. Homicídios e latrocínios aumentaram quase 28 por cento em 2016 sobre 2015.

Como Novo Hamburgo vem sendo exceção nestas estatísticas, seria interessante, para a saúde de todos nós, que os novos governantes do município tenham a sensatez e a humildade de estudar e aproveitar o que foi feito no governo anterior, do ex-prefeito Luís Lauermann, para conter (pelo menos um pouco, no limite da competência e das possibilidades concretas do Município) a onda de violência que assola o Estado e o país.

Me parece que é esta a linha de conduta do novo secretário de Segurança, general Roberto Jungthon. Mas também tenho indicativos de que está sendo muito criticado por isto. A prefeita Fátima está tendo que ter pulso muito firme para manter sua escolha e a linha de trabalho que ele adotou. 

MAIS UM ATAQUE AO CARNAVAL

Ontem, na sessão da Câmara Municipal de Novo Hamburgo, o vereador Raul Cassel (PMDB) voltou a fazer reparos sérios aos investimentos públicos para viabilizar os desfiles de Carnaval de Rua (no ano passado, ele já tinha sido um dos críticos mais duros).

Reclamou da realização dos desfiles em abril, integrados às comemorações pelo aniversário da emancipação da cidade (90 anos). Chegou a ironizar, dizendo que daqui a pouco teremos os desfiles de Carnaval no dia 07 de Setembro. Espero não estar interpretando mal, mas me pareceu que ele se sente desconfortável com a presença da cultura popular brasileira nas comemorações cívicas.

O ponto alto da sua argumentação, porém, foi quando disparou algo como “faz festa quem pode pagar por ela”. Acho que, com esta frase, ele define uma posição política, um entendimento que ele representa. Ou seja: para ele, o Carnaval é apenas uma festa. Anteriormente ele já havia dito que era apenas bebedeira e batuque. 

E por esta razão – por expresssar o entendimento de uma parcela significativa da nossa sociedade – eu respeito seu posicionamento. Discordo frontalmente, acho que é uma visão preconceituosa e pouco informada, mas respeito.

Não é só ele, na Câmara, quem discorda do investimento público. O vereador enfermeiro Vilmar (PDT) enviou requerimento à Prefeitura, solicitando que este ano não se realize o desfile… que este dinheiro vá para a saúde. Disse não ter nada contra o Carnaval mas, nestes tempos difíceis…

Radicalizar contra eles não ajuda muito. Como eu disse, eles representam pensamentos reais existentes na cidade. Eu, aliás, cheguei a pensar em não comentar o assunto, porque, perante esta parcela da sociedade, estaria “enchendo a bola” dos dois.

Mas, a hora é de dialogar (estou cansado dos discursos irreconciliáveis). Ao povo do Carnaval cabe fazer a defesa desta manifestação. Mostrar que ela faz bem – e muito bem – à saúde e à segurança pública, por ser essencial no cultivo de valores, como o respeito à ancestralidade e à família.

Prefiro convidá-los a participarem de ensaios e preparativos, para compreenderem a importância desta cultura para uma parcela importante da nossa sociedade. Espero que aceitem o convite e, com o perdão pela ironia estudada, não fixem o olhar apenas nas passistas. Percebam também as baianas (avós ancestrais) e as crianças.

É onde se encontra a chave secreta para a solução de grande parte dos nossos problemas sociais.

BATER PONTO RESOLVE?

O vereador Raul Cassel (na verdade seu assessor, Márcio Lüders) foi alvo de uma denúncia no portal do Martin Behrend, por estar advogando num tribunal durante o horário de expediente. Dando o devido direito de resposta ao denunciado e ao vereador, o jornalista levanta o que julga ser uma questão muito relevante: que os CCs batam ponto, por uma questão de “transparência e respeito ao dinheiro público”.

Respeitando o direito dele de se indignar e/ou preocupar com o que quiser, acho que é tipo dar tiro na água ou secar gelo.

A gestão das empresas mais criativas já entendeu que controle do ponto, em atividades que não são mecânicas, ao invés de ajudar, prejudica a produtividade. E atividade política não tem nada de mecânica.

Na real, medir a produtividade do trabalho de um gabinete de vereador não é nada difícil. O Raul Cassel, por exemplo, pode até ser contra os desfiles de Carnaval  (e eu considero isto um equívoco importante, ao contrário do que pensam seus eleitores), mas ninguém pode, honestamente, acusá-lo de inoperante.

Pelo contrário. Na sessão de ontem, por exemplo, ele apontou um problema muito sério na estrutura da saúde pública do município – a ausência, há três meses, de um médico infectologista responsável por acompanhar o tratamento das centenas de pessoas em tratamento de doenças como AIDS e tuberculose, por exemplo.

Não fez para criticar o novo governo, embora esteja na oposição. Alertou. Fez, simplesmente, o que deve fazer quem tem um mínimo de preocupação com a saúde pública.

Esta tem sido a postura do vereador Cassel. Levanta questões importantes, via de regra munido de dados. Certamente não é trabalho apenas seu, mas de toda a equipe que o acompanha em seu gabinete.

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