Novo Hamburgo –

Morreu, ontem (sábado à noite) quando voltava de uma pescaria às margens do Rio do Sinos, Fabrício Adriano da Rocha Rosalino. Foi assassinado, em circunstâncias ainda a esclarecer. Com ele, vinham quatro amigos. Seu primo, Jonas Rosalino Araújo também foi executado. Os outros dois conseguiram fugir.

Na notícia do jornal NH a única referência feita a Fabrício, por parte da polícia, é que “esse Fabrício era assaltante. Já tinha sido preso por roubos”. Sobre Jonas, a referência é que “não tinha antecedentes”.

Há outra versão, que não desmente a primeira, mas me parece mais importante. Fabrício era um artista ativo, reconhecido em todo o meio Hip Hop de Novo Hamburgo, pela qualidade da sua poesia e de sua dança.

Seu primo, Jonas, também era artista. Esta semana estaria indo para Bento Gonçalves, onde tinha sido contratado para trabalhar com pintura.

Para a pequena multidão que estava hoje à tarde acompanhando o velório dos dois jovens assassinados, Fabrício e Jonas eram trabalhadores e artistas que se preocupavam com problemas sociais, com as crianças especialmente.

Jovens pobres e negros, culpados ou não de algum crime, são as principais vítimas de assassinato no Brasil. Fabrício e Jonas, ambos da família Rosalino, uma das maiores e mais tradicionais famílias de Novo Hamburgo (embora pobre) engrossam, agora esta estatística.

Mas não são, nunca foram nem serão números estatísticos.

Uma amiga comum tinha recebido mensagem do Fabrício sábado à tarde. Ele contava, poeticamente, que a caixa d’água onde estavam sentados estava cheia de nomes escritos. E concluía falando de esperança numa vida de paz.

Fabrício e Jonas eram artistas. Não eram bandidos, apesar de um ou outro registro policial que nada dizem sobre sua vida real. 

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