Novo Hamburgo –

Fiquei triste, hoje de manhã, ao conversar com um servidor público municipal, que encontrei nas bancas. Se queixou que o pagamento das horas extras está atrasado. Deve sair lá pelo dia 10, me contou.

Soube também que o pagamento de rescisões dos estagiários demitidos na virada de ano (e de governo) foi meio atrapalhado. Teriam recebido só na última sexta-feira.

Quero dizer que é muito normal um governo se atrapalhar nos seus primeiros dias (e meses). Vão se passar algumas semanas até o pessoal novo perceber como acontece o fluxo burocrático das ações.

Isto é como trocar turbina de avião em pleno vôo. Os problemas vão se avolumando enquanto o cara ainda está aprendendo a enfrentá-los na prática.

Então, tem que ter uma dose forte de compreensão. (*)

Mesmo assim, os servidores estão atentos. A contenção de despesas com foco na Folha Salarial é da lógica do pessoal que agora está governando Novo Hamburgo. Não é muito provável que a prefeita Fátima se afaste da cartilha tucana, mas também é possível que ela pense fora desta caixinha (e já mostrou que é capaz disto).

Me disse o servidor com quem falei que “no tempo do PT, data de pagamento do funcionário era sagrada”. Lembrou que houve o parcelamento do reajuste, como observação crítica, mas voltou a frisar: “Não se atrasavam salários!” (É bom frisar, por justiça, que tampouco a prefeita Fátima atrasou os pagamentos habituais da folha. O que está causando algum transtorno é o que não é da rotina – e pagamento de horas extras pode até se transformar em rotina com o passar do tempo, mas é muito bom que não seja no início do governo.

Mas merece atenção especial que não existiu atraso de pagamentos nas gestões petistas. Esta é uma verdade marcante quando se compara o que aconteceu com o cronograma dos salários em Novo Hamburgo e em muitas outras cidades gaúchas, como a vizinha São Leopoldo. Sem falar no Estado (**).

De qualquer forma, o foco dos servidores não é o passado (eles tem críticas às gestões anteriores, mas também lhe reconhecem méritos).

O que mais interessa aos servidores está logo ali adiante, na data base de seu reajuste anual, em que se discute não só a reposição do valor de compra dos salários, mas também aumentos reais e outros temas que integram a relação entre o valor pago ao trabalho, o retorno que este trabalho oferece à sociedade e à real capacidade pagadora do município.

A data base é abril, daqui a dois meses. Portanto, é absolutamente natural que os servidores estejam se agitando e mobilizando para conversar com a nova administração. As solicitações de agenda já estão fervilhando no fluxo de demandas sobre a mesa da prefeita. Mas ela não deu sinal algum, até agora.

(*) Tenho ouvido críticas também ao que chamam de desorganização do governo. Tem faltado até papel higiênico nos Postos de Saúde, por exemplo. Não dá pra dizer que as administrações do meu partido tenham sido imbatíveis em termos de organização. Não dá para ignorar que começo de administração é sempre um período muito difícil. Mas também não dá para desconsiderar os problemas, quando surgem. É bom acompanhá-los com atenção desde o início. É no nível de prioridade que cada governo dá às demandas que enfrenta nas primeiras semanas que já se pode identificar qual sua orientação.

(**) No Estado, onde a situação é mais dramática, como todos sabem ou deviam saber, tem professores passando fome. Convém a gente repetir esta informação e enfatizar, porque fome era uma palavra que estava sendo banida do dicionário brasileiro. Agora ela se torna importante de novo. Então, num estado que diz dar prioridade à educação, tem professores (e não só professores, mas também policiais, fiscais, trabalhadores administrativos…) passando FOME !!!

Precisa repetir? FOME !!!

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