Fiquei feliz, hoje de manhã, ao encontrar o Xupi, morador de rua que foi um dos melhores ritmistas de Escola de Samba que conheci. Lutando contra os desencontros da vida, estava mais forte e bem lúcido. Me contou que a Protegidos teve festa neste sábado à noite e ensaio da bateria na sexta. “Tá bombando”, comemorou.

Que bom. A Escola de Samba Protegidos da Princesa Isabel tem o dom de surpreender. E é muito interessante o tema enredo (que a Escola preparou para o desfile em Porto Alegre e em Novo Hamburgo), segundo me informei através do excelente blog do Israel Ávila –

http://www.setor1rs.com.br/2017/02/protegidos-divulga-seu-tema-enredo-e.html?spref=fb :

Fui nobre, fui sequestrado, fui escravo e me libertei. Hoje, livre, luto por meu povo, que jamais abandonarei”. O enredo, de autoria de Alan Carlos Dias da Silva, fala das mazelas e dificuldades históricas a que é submetido o povo negro.

O texto de apresentação é claro e explícito na reação contra a violenta pressão que sofre o Carnaval, em todo o país, mas de maneira particularmente aguda no Rio Grande do Sul:

Neste momento, somos vítimas de mais um ataque orquestrado pelos setores mais atrasados da política nacional, que tentam amordaçar, mais uma vez, nossa cultura. E resolvemos contar a verdadeira história e a origem dos grandes problemas socioeconômicos que sofremos desde que fomos sequestrados em nossa Mãe África”…

O blog do Israel não deixa dúvidas quanto à profundidade com que este tema está sendo abordado. Veja a foto que ele usou para ilustrar a matéria e me diga se o Carnaval ajuda ou não no desenvolvimento da cultura e da consciência crítica do nosso povo. Será que a preocupação dos inimigos do Carnaval é mesmo com “o desperdício de dinheiro público”? Ou o problema está justamente na possibilidade de as pessoas se juntarem, fortalecerem seus laços de amizade e família… e pensarem juntas?

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