Novo Hamburgo –

Vi a notícia de que as invasões estão se avolumando em áreas já ocupadas e rondando novas. Comentei com o vereador Nor Boeno, do PT, e ele voltou a bater na tecla de que a prefeita 20 por cento de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, do PSDB, comete um erro estratégico ao querer o fim da Secretaria Municipal de Habitação.

Ele lembra que nas crises econômicas anteriores enfrentadas pela cidade, quando milhares de trabalhadores ficaram desempregados por causa do fechamento das fábricas de calçados, dois problemas explodiram na porta da Prefeitura de Novo Hamburgo:

– o súbito e forte aumento da demanda por atendimento na saúde pública;

– o súbito e forte aumento das invasões e ocupações por conta da falta de alternativa para morar;

Nor não é um político novato. Pode ser uma novidade na Câmara Municipal, mas tem duas décadas, no mínimo, de atuação comunitária nas vilas da cidade. É morador da Vila Iguaçu, em Canudos. Conhece e sente como poucos a realidade cotidiana do povo e das comunidades.

Ele aponta que os bairros populares estão coalhados de pequenos prédios com peças para aluguel. Com a crise, muitas destas peças estão sendo desocupadas. E nem todas voltam a ser alugadas.

Muitas novas construções estão diminuindo seu ritmo. Algumas estão paradas.

Muitas famílias estão voltando a enfrentar o drama terrível de não ter onde morar. Não saber onde vai dormir amanhã tira o sono hoje.

Nas vilas, o povo já sabe do pesadelo.

Semana que vem volta a ser discutido o veto da prefeita à emenda ao projeto de Reforma Administrativa proposto pela prefeita, em que Nor e o vereador Brizola, também do PT, conseguiram unanimidade dos vereadores em favor da manutenção da Secretaria de Habitação na estrutura administrativa do Município.

Nor Boeno quer que a administração do Município veja o lado do povo. Não quer deixar que a prefeita cometa uma imprevidência.

A CÂMARA QUER SABER

Me parece que a prefeita Fátima também terá dificuldade para aprovar seu veto à emenda do vereador Serjão Hanich, do PMDB, ao mesmo projeto de Reforma Administrativa. A emenda determina que os remanejos de verbas orçamentárias decorrentes da reforma sejam todos aprovados pela Câmara de Vereadores. A prefeita quer que seja feito através de decreto, ou seja, sem necessidade de avaliação prévia por parte dos vereadores.

A dificuldade não está no vulto das veeeeelhas negociações tradicionais, de troca de votos por favores e cargos no Executivo. A dificuldade maior é que há um espírito realmente novo na Câmara, de abrir debates para a comunidade. Criar espaços para a transparência e a participação de um lado e, de outro, abrir mão de decidir sobre temas orçamentários é uma contradição elementar.

Quem se propõe a trazer uma nova forma de fazer política e administrar não pode ficar cego a este fato. 

CONHECIMENTO DIFERENCIADO

O vereador Serjão, aliás, é outro que vive no meio do povo como o peixe vive na água. Na primeira sessão da Câmara, ele oficializou um pedido de informações sobre como as pessoas podem acessar as chaves das várias capelas mortuárias públicas existentes no Município.

Ele pede informações detalhadas. Quais são as capelas existentes? Quem está com suas chaves? Qual o telefone para contato?

Disse que ligou para a Prefeitura, recentemente, buscando resolver um problema pontual e ninguém soube lhe responder.

Para quem desconhece o cotidiano popular, estas informações podem parecer pouco relevantes. No processo do Orçamento Participativo, porém, durante os oito anos de administração petista, as capelas mortuárias sempre apareceram como uma das demandas de destaque da população.

A aflição da família que procurou o Serjão porque precisava da Capela Mortuária fez mais do que preocupar o vereador. Doeu no coração do homem. 

Serjão, assim como Nor, é um vereador popular. Sabe onde o sapato aperta e, mais que isto, tem um conhecimento diferenciado: sabe também como dói o sapato apertado.

Anúncios