Nunca fui fã da Patrícia Beck. Pelo contrário, acho que sua atitude política é muito personalista. Mas é importante reconhecer que justamente a força de sua personalidade pode marcar a vida política de Novo Hamburgo. Eu disse “pode”, mas tenho certeza que vai.

Como presidente da Câmara, em pouco mais de um mês, ela mostrou ter inteligência, argúcia e uma enorme energia para produzir fatos. E não estou falando de fatos vazios.

A gente pode criticá-la por buscar o noticiário ao posar para fotos metendo a mão no jardim da Câmara. Mas temos que convir que o simples fato de compreender que um jardim tem importância é construtivo. O que o crítico pode – e deve – fazer é verificar se esta atitude terá continuidade e se a preocupação com o embelezamento se estende a toda a cidade. E eu acho que, nos dois casos, a resposta será sim.

A proposta de levar trabalhos da Câmara para o ambiente universitário, em articulação com a Feevale pode trazer benefícios muito grandes para a evolução política de nossa Sociedade como um todo. Observo que os estudantes não estão sendo convidados a simplesmente assistirem sessões, feito boiada. A proposta, tanto quanto entendi, é ter seus olhos no trabalho das Comissões, onde os assuntos que irão a plenário são examinados com maior cuidado e critério.

A oportunidade está se criando. E é de ouro. Cabe aos estudantes, especialmete aqueles mais politizados, até com militância, aproveitá-la para qualificar o diálogo político dentro da nossa Sociedade. 

Não posso falar do Planejamento Estratégico que ela está propondo, pois ainda não o li, mas tenho duas observações válidas desde já:

1) Planejamento Estratégico é um conceito fundamental da administração moderna, seja privada, seja pública. Só por colocar esta perspectiva para a gestão da Câmara, a iniciativa merece um forte elogio.

2) Planejamento Estratégico é processo. Não é gesso. É de todo conveniente e adequado que seja apresentado com impacto, para sacudir. Depois, porém, é coisa de longo prazo e objeto de atenção – acompanhamento, revisão e até transformação – permanente. E, no caso do Setor Público, só funciona com muita participação e absoluta transparência.

Torço por isto.

A força pessoal da vereadora Patrícia poderá alimentar também a importância de alguns não poucos vereadores da casa. Falo não só dos novos, mas que os reeleitos se transformam diante da mutação já produzida pelas eleições.

O verador Issur Koch, por exemplo, será constamente pressionado pelos quase sete mil votos (um fenômeno) que conquistou nas urnas. Boa parte deste resutlado eleitoral, obteve por suas posições críticas muito fortes em relação ao governo anterior. Ele terá que adotar postura de igual severidade em relação à nova gestão. Tem a oportunidade de fazer isto de forma mais serena, com mais diálogo com um governo cuja ideologia entende melhor e contra quem tem menos juízos enraizados. Mas o rigor da atenção aos fatos terá que continuar o mesmo. Sob pena de derretimento.

A mesmíssima exigência sofre a vereadora Patrícia, diante de seus quase 5,5 mil votos. Para ela, isto será um pouco mais difícil, não só por ser a única representante da coligação da prefeita com assento na Câmara mas também por já ter indicação concretizada para CC na Prefeitura, justamente na área da saúde, que era o foco de sua atuação. Trocará a liberdade de crítica pela oportunidade de resolver problemas pontuais (que muitas vezes são atendidos não só por interesse político, mas também porque cada problema pontual dói no coração)? Isto lhe será exigido?

O vereador Sérgio Hannich, do PMDB, por sua vez, terá mais liberdade para exercitar sua inegável vocação de advogado de causas e interesses populares. Poderá negociar atendimentos pontuais com a nova administração, mas em pautas como a da Secretaria da Habitação, será difícil justificar omitir-se, não só perante seus eleitores mas, certamente, também perante seus sentimentos pessoais, de homem que conhece a realidade das vilas.

Também nesta linha está o novo vereador petista, Nor Boeno, um líder comunitário que surpreendeu muita gente (a a si mesmo) ocupando a segunda vaga que seu partido conquistou na Câmara.

Já me alongando, trago à lembrança o novo trabalhista, o jovem Felipe Kuhn Braun, que tem cultura vasta e uma impressionante facilidade para o diálogo. Esta facilidade pode ser seu grande diferencial, mas também pode lhe cobrar preços elevados, porque haverá momentos em que mesmo o diálogo exigirá posicionamentos firmes e corajosos.

São possibilidades em aberto. Torço por seus melhores resultados.

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