Foi cancelado, hoje, o show a que se refere o comentário a seguir. Segundo informa a Prefa de Novo Hamburgo, o cancelamento foi recomendado pela Junta Financeira, por que a despesa comprometeria “o fluxo orçamentário e financeiro neste início de exercício”. Ah, tá!… nada a ver com a onda de críticas, né? Por favor, não abusem da nossa pequena inteligência!

Tá bem comentado (e criticado) no feissebuque (*): a professora Maristela Guasselli, nova Secretária de Educação de Novo Hamburgo (na verdade não tão nova, pois ocupou o mesmo cargo na gestão do prefeito Jair Foscarini) determinou a contratação de um show da Família Lima, para uma recepção de boas vindas no Teatro Feevale, por R$ 44 mil.

O QUÊ!? – Qua-ren-ta… e qua-tro… miiiiiiiiiiiil Reais!?…

… lá se foi boa parte da economia feita com o encolhimento do Carnaval!

É que R$ 44 mil é muuuuita grana, mesmo para uma atração renomada como é a Família Lima. É só conferir os cachês que estão sendo cobrados, até por atrações nacionais de grande densidade cultural e enorme possibilidade de encantamento.

Tá certo que a Secretária está repetindo boas experiências suas na gestão de 2005 a 2008, com atrações fortes para receber o magistério. 

Mas é que os tempos são outros, entende? A Prefeitura quer reduzir o investimento no Carnaval, evento que reforça identidade cultural e o convívio familiar importantíssimos para alguns milhares de hamburguenses. Quer passar para o patrocínio privado.

Tá certo que a Secretária preza a qualidade e reconhece qualidade no show da Família Lima. Parece até que já havia contratado esta mesma atração, lá nos tempos de sua primeira gestão.

Mas é que, num momento como este, também os investimentos na Orquestra de Sopros e na Fundação Scheffel estão com dificuldade para acontecer.

Aí o pessoal fica pensando, será que a Orquestra de Sopros, com metade deste investimento, trabalhando com alguns dos nossos muito bons artistas locais, não seria capaz de encantar e motivar, arrancar lágrimas e desenhar sorrisos no rosto das nossas professoras e professores?

Falasse com o pessoal da Secretaria de Cultura e certamente receberia dezenas de boas sugestões.

Mas, enfim, este é um assunto interno da Administração. O que eu quero referir é que os tempos são outros. Antes a gente só dizia pro pessoal do andar de baixo pra economizar no cafezinho… 

Agora o pessoal tá vindo de criticar qualquer coisa diferente, ou mesmo igual. Fica querendo saber se vai ter economia também no champanhe… 

Por exemplo, ontem eu encontrei com o Leonardo Hoff, no programa Estação Hamburgo, da Vale TV e ele estava indignado com o tamanho da comitiva que a prefeita 20 por cento de Novo Hamburgo, Fátima Daudt, levou pra falar com a direção do Banco Interamericano de Desenvolvimento – o BID (*). Cinco pessoas! Pra que cinco pessoas? – pergunta o Hoff.

Bem, o Hoff foi candidato a prefeito na última eleição, pelo PP, e não se acanha de dizer que quer tentar de novo. Então, a gente deve considerar que ele está decididamente na oposição. Assim como eu, de outro partido, também derrotado, também estou na oposição. O leitor pode dar um desconto na crítica… 

… mas… precisava mesmo? Cinco pessoas?

E a gente, aqui, economizando no cafezinho! 

(*) Não vi nada no Hiena Gagá sobre este assunto.

Já o Martin Behrend, no seu portal “Tudo é informação. Tudo tem opinião”, não se omitiu de tocar no assunto, mas evitou opinar – enfim, parece que nem tudo tem opinião; às vezes também tem ocasião. Limitou-se a perguntar à Secretária sobre o tema.

Ela se defendeu nas críticas dizendo que os recursos são da SMED e, portanto, não interferem nos gastos ou economias do Carnaval. E é verdade. A Prefeitura precisa gastar 25 por cento do seu orçamento com a pasta da Educação. Não tem como pagar o Carnaval com estes recursos.

E justificou o investimento dizendo que as professoras e professores das nossas escolas merecem um pouco de carinho. Também é verdade.

Mesmo assim, eu continuo pensando que os tempos são outros. R$ 44 mil continua sendo muita grana. E podiam ser investidos para valorizar artistas locais, especialmente nestes tempos bicudos…

Quanto a não poder destinar recursos da SMED para o Carnaval, bem… há articulações possíveis. A SMED pode ajudar a SECULT destinando bem justificados recursos para a Orquestra de Sopros, por exemplo, que tem excelentes possibilidades pedagógicas em música, liberando recursos da SECULT para outras ações.

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