A gente erra muito na vida. Por isto, a auto-crítica é da essência do pensamento honesto.

Digo isto pensando na repetição – maaaaais uma vez, como acontece todos os anos – da enxurrada de opiniões preconceituosas contra o Carnaval de Rua. E nem é contra o Carnaval de Rua: é contra a Cultura Popular mesmo.

Se a gente der uma olhada com atenção, vamos ver que praticamente todas estão embasadas apenas no preconceito e na incompreensão. Palavras de baixo calão não faltam, vindas de pessoas que se acham muito cultas mas, na real, são poços de ignorância.

Reclamam, por exemplo, que os investimentos públicos no Carnaval deveriam ser destinados à saúde, à segurança pública, à educação e até para tapar buracos.

aliás, a Prefeita 20 por cento de Novo Hamburgo, Super Fátima Daudt, prevê gastos de R$ 2 milhões na sua operação Tapa Buraco. Para se ter um parâmetro, a repavimentação da rua Sapiranga foi licitada, na gestão do ex-prefeito Luís, por menos de R$ 1 milhão, incluindo sinalização horizontal e vertical e instalação de calçadas para a segurança dos pedestres.

Como se Novo Hamburgo não fosse um dos únicos municípios gaúchos que conseguiu manter, ampliar e até qualificar os serviços públicos de saúde nos últimos anos!

Como se Novo Hamburgo não estivesse assumindo, mais e mais, a cada ano, despesas com a Segurança Pública quando esta é atribuição do Governo do Estado.

Como se o custo do Desfile de Rua não representasse menos de 0,05% do Orçamento Municipal, ou menos de 5 cm numa trena de um metro.

A ignorância é ainda maior, porém. Ela se escuda no argumento de que o Carnaval de Rua se resume a pouca roupa.

Os olhos deles é que não conseguem desgrudar da pouca roupa de uma que outra passista. Os olhos deles não conseguem ver nada além daquilo que aprisiona suas mentes.

Não veem a graça e a elegância ímpares da Porta Bandeira, né Valeska Braga?

Não escutam as letras inteligentes das melodias, nem a riqueza das melodias e harmonias, né Tom Astral? Né Jailson Barbosa?

Não se dão conta da existência das baianas e seu profundo significado, né Mari Sandra?

A cegueira é tanta, que só conseguem ver bundas na manifestação de cultura popular que mais lindamente venera suas avós!

Mas eu comecei falando que a gente erra e, até agora, só falei do que considero ser o erro dos outros.

Onde é que está o nosso erro?

Acho que precisávamos falar isto, em primeiro lugar, não para os que nos criticam. Pra eles também, até porque é indispensável a gente insistir no diálogo (e porque boa parte do preconceito não é fruto de maldade pessoal, mas de falta de conhecimento e informação deturpada).

Mas temos que dizer isto também às nossas baianas. Às nossas avós, que frequentam as quadras das nossas escolas. E aos seus netos.

E chamá-las também para o diálogo com esta gente que sabe pouco e para a luta pela dignidade de uma cultura que diferencia e marca o Brasil. Uma cultura que respeita e venera os avós. Uma cultura que ama os filhos.

Queria vê-las, com seus netos, na Praça do Imigrante, em frente ao Shopping, no Calçadão e no Paradão, colhendo assinaturas por mais investimentos em Educação, Saúde e Cultura.

baianas

Lembro o ensinamento profundo de um homem que respeito muito, por sua cultura, por sua luta pessoal e por seu comprometimento generoso com a cultura popular, Giovani Velho: “Pra fazer uma Escola de Samba, tem uma coisa mais importante até do que a bateria: as Baianas!

Ou seja: as avós, a ancestralidade.

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