Enquanto pagamos os mais altos juros do mundo…

tem gente achando que vai salvar o país terminando com o Carnaval.

é fatal: chegou o verão, começam a surgir comentários nas redes sociais, cartas aos jornais, de gente indignada com os investimentos públicos no Carnaval.

Boa parte dos que se manifestam estão sendo honestos em sua indignação. Merecem respeito. Mas não minha(nossa) concordância. Merecem ser ouvidos. Mas também nós merecemos…

Este repúdio ao Carnaval, na minha opinião, é fruto de desconhecimento. Resulta do profundo fosso que separa comunidades dentro de uma mesma cidade…

Já ouvi muito dizerem que “Carnaval não é cultura, se resume a mulheres semi nuas e rebolados de traseiros”… Quem diz isto chega a estar se traindo: revela o que seus olhos conseguem enxergar.

não percebe as alas de baianas, constituídas por um número bem mais expressivo de senhoras idosas, vestidas dos pés à cabeça.

Provavelmente para a surpresa destes críticos todos, informo que os casais de mestre-sala e porta-bandeira, também vestidos dos pés à cabeça, são critério de pontuação nos desfiles. Para a semi nudez das passistas, não se conta um pontinho sequer.

Antes de repetirem – não sejam papagaios, por favor – que Carnaval é só bebedeira e sexo, porque não vão a algum ensaio, para verem o encontro de avós e netos, de primos, tios e tias? Entenderiam que o Carnaval, para o povo afro-brasileiro, tem a importância do Kerb para os teuto-brasileiros (todos igualmente brasileiros!).

No fundo, é isto. Esquecem os juros que pagamos, os mais altos do mundo!

e tiram mais um pouquinho do povo (mas pouquinho mesmo… meio milésimo do Orçamento Municipal).

só que este pouquinho, nas quadras das Escolas de Samba, é o convívio dos netos com suas avós, as baianas, vestidas dos pés à cabeça, dos seus abraços…

e dos seus conselhos!…

Tirem do carnaval… invistam ainda mais em segurança (mas não deixem de pagar os juros… pois somos um país muito sério!)…

os banqueiros agradecem…

os balas na cara e os manos também.

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