Confesso que minha expectativa era bem mais forte. Mas o Carnaval de rua de Novo Hamburgo só vai acontecer em abril.

E na Pedro Adams Filho…

longe da pista de eventos… (se esta decisão tem relação com o custo das arquibancadas, espero que esta “economia” não reflita também na qualidade da iluminação e da sonorização, que na Pedro Adams se tornarão bem mais difíceis).

E sem carros alegóricos.

E com menos figurantes.

E, para o ano que vem, 2018, busca de patrocinadores …

Não vou partir para a crítica fácil. Sei que o secretário da Cultura, Ralfe Cardoso, está enfrentando problemas gigantescos para lidar com o assunto “subvenções”. Está em vigor uma nova lei federal que estabelece novas regras para a destinação de verbas públicas a entidades da sociedade civil.

Não é só para o Carnaval que está complicado destinar recursos. A Fundação Scheffel enfrenta o mesmo problema, assim como a Orquestra de Sopros. Sabe lá quando a Prefeitura vai conseguir alcançar-lhes algum recurso. Eu, aliás, sofri muito, quando estava na SECULT, com estes problemas legais e burocráticos. Levei muita pedrada injusta por conta disto.

Mais difícil ainda é a situação da nova administração, que inicia tendo que lidar com uma legislação completamente nova.

Mas também não quero ficar na aceitação passiva. E começam a me incomodar algumas dúvidas e questionamentos importantes.

Quando observo a ênfase na solução “buscar patrocinadores”, fico pensando se também não deveriam ser buscados patrocinadores para outras responsabilidades do Poder Público.

Fico pensando que a Administração Pública ainda não compreendeu a importância do Carnaval para uma parcela significativa da população brasileira, gaúcha e também hamburguense.

Será que vão condicionar os investimentos em Segurança Pública à existência de patrocinadores? Certamente, não.

E muitos vão achar que minha pergunta não tem sequer cabimento. Enfim, é da vida. Não imaginam o quanto a existência das Escolas de Samba pode contribuir para a formação de cidadania, para a preservação de valores familiares e, portanto, para a Segurança Pública.

Se acham, aliás, que a Segurança Pública é um problema muito sério, esperem pra ver o que será quando nosso povo não tiver mais identidade cultural e for privado de suas referências familiares.

Quando parecem condicionar o apoio ao Carnaval à busca de patrocínios privados, logo imagino grandes marcas de cerveja tendo mais destaque na avenida do que os estandartes das escolas. Estarei errado?

Depois vão dizer que o Carnaval é uma festa de beberagem? Mas, vai sobrar o quê se tirarem toda a sua densidade cultural, eliminando como supérflua a arte dos carros alegóricos? O que será supérfluo depois? A Ala das Baianas?

Atenção, isto não é uma crítica. Não é nem mesmo um desabafo. É um alerta.

As Escolas de Samba de Novo Hamburgo aceitaram as regras propostas pela Administração, em reunião realizada na noite de ontem, mas não ficaram felizes.

Repito. Não estou na posição de crítico. Entendo as dificuldades da administração (mas sei, também, que as decisões refletem as prioridades).

Também entendo muito o povo do Carnaval e estou com eles. Na Cruzeiro do Sul, sem um milímetro de rancor na sua expressão, o presidente termina sua mensagem à comunidade, ao falar sobre este assunto, dizendo “Nós Seremos a Resistência”.

Esta palavra, “resistência”, está aparecendo em tudo que é canto. Pode virar tema-enredo de Escola de Samba.

Ou será que alguém vai achar que também os temas-enredo são coisa supérflua?

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