Perguntei ao professor Luís Augusto Fischer, um dos articuladores do movimento, se houve algum tipo de retorno, por parte do Governo desta nossa terra, Tumelero Grande do Sul, à Carta Aberta de intelectuais e artistas gaúchos, lida no Chalé da Praça XV.

A Carta era um apelo para dialogar sobre a crise financeira do Estado e suas possibilidades de enfrentamento.

Ao mesmo tempo, um libelo de denúncia contra a dilapidação do Patrimônio Público (poderia ser dito Tesouro Público) pela destruição de um conjunto de Instituições que enriquecem o Estado com seu conhecimento acumulado e com sua potencialidade de pesquisa e estímulo às atividades criativas e intelectuais do nosso povo.

Quê? Resposta? Deste governo? Da boca de José Ivo Sartori, que sequer ouvidos tem… ou nos dá?

Este governo não quer e nunca quis conversar nem com seu próprio partido – estou falando do Rio Grande, certo? Seu candidato – eleito, vejam só! – quando lhe perguntavam como ia enfrentar a crise financeira do Estado gaúcho, desconversava, falando em cortar um cafezinho aqui, uma viagenzinha ali. Lembram? 

Sobre salários dos servidores, dizia que ia ter “diálogo”. Fora isto, inventava piada sobre o piso salarial dos professores – e ainda fazia cara de inteligente, vaidoso da própria arrogância.

A carta PEDIA diálogo. IMPLORAVA.

Resposta? Me relata o professor Fischer, ontem, cinco dias após a leitura pública do documento:

– Nenhuma resposta ainda. Só soubemos que houve uma menção indireta numa entrevista do chefe da Casa Civil, Biolchi, que respondeu genericamente a uma pergunta dizendo que todas as manifestações são ok, mas que o governo não vai voltar atrás na extinção das fundações.

Nenhuma palavra sobre discutir isenções fiscais. Nenhuma palavra sobre os serviços que estas fundações prestam e podem prestar à Sociedade Gaúcha. Muito menos sobre o valor e a importâncias destes serviços.

Absoluto desprezo pela opinião de dezenas de intelectuais, escritores, professores universitários, comunicadores e artistas, todos reconhecidos pela relevância de suas contribuições ao desenvolvimento da ciência e da cultura em nosso Estado.

E, aí? O que se faz quando se propõe diálogo e o outro simplesmente vira as costas e sequer nos responde?

O que se faz ao imaginar que, talvez, ao virar as costas, o governador tenha feito algum de seus comentários irônicos e jocosos sobre a presunção de quem veio lhe propor diálogo sobre negócios que já estão acertados e, portanto, não serão mais discutidos?

Amanhã, dia 17, começa, em Porto Alegre, o Fórum Social das Resistências.

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